O Filho do homem até do sábado é o Senhor (parte 1)

18 de Abril de 2020

1. Mateus 12:1 Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os Seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer.

2. Mateus 12:6-8 Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor.

Vejamos primeiro esta passagem: “Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os Seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer”.

Por que selecionamos essa passagem? Que conexão tem ela com o caráter de Deus? Nesse texto, a primeira coisa que sabemos é que era o dia de sábado, mas o Senhor Jesus saiu e levou Seus discípulos através dos campos de trigo. O que é ainda mais “traiçoeiro” é que eles até “começaram a colher espigas, e a comer”. Na Era da Lei, as leis de Deus Jeová diziam que as pessoas não podiam sair casualmente ou participar de atividades no sábado — havia muitas coisas que não podiam ser feitas no sábado. Essa ação por parte do Senhor Jesus foi intrigante para os que tinham vivido sob a lei por longo tempo, e até provocou críticas. Quanto à confusão deles e a maneira como falaram sobre o que Jesus fez, vamos deixar isso de lado por enquanto e discutir primeiro por que o Senhor Jesus optou por fazer isso no sábado, entre todos os dias, e o que Ele quis comunicar, por meio dessa ação, às pessoas que viviam sob a lei. É sobre a conexão entre essa passagem e o caráter de Deus que desejo falar.

Quando o Senhor Jesus veio, Ele usou Suas ações práticas para Se comunicar com as pessoas: Deus havia deixado a Era da Lei e começado uma nova obra, e essa nova obra não exigia observar o sábado; quando Deus saiu dos limites do dia de sábado, isso foi apenas um prenúncio da Sua nova obra; a obra real e grandiosa ainda estava por vir. Quando o Senhor Jesus iniciou a Sua obra, Ele já havia deixado para trás os grilhões da Era da Lei e rompido com os regulamentos e princípios daquela era. Nele, não havia vestígio de nada relativo à lei; Ele a havia rejeitado inteiramente e não mais a observava e não mais exigia que a humanidade a observasse. Então aqui você vê que o Senhor Jesus passou pelos campos de trigo no sábado; o Senhor não descansou, mas sim estava fora, operando. Essa Sua ação foi um choque para as concepções das pessoas e comunicou a elas que Ele não mais vivia sob a lei, e que havia deixado as limitações do sábado e aparecido diante da humanidade e em seu meio em uma nova imagem, com uma nova maneira de operar. Essa Sua ação disse às pessoas que Ele havia trazido Consigo uma nova obra, que começou com sair da lei e sair do sábado. Quando Deus realizou Sua nova obra, Ele não mais Se apegou ao passado, e não estava mais preocupado com os regulamentos da Era da Lei. Nem foi Ele afetado pela Sua obra na era anterior, mas operou como de costume no sábado e, quando Seus discípulos ficaram com fome, puderam colher espigas para comer. Isso tudo foi muito normal aos olhos de Deus. Deus podia ter um novo início para boa parte do trabalho que Ele quer fazer e para as coisas que Ele quer dizer. Uma vez que Ele tem um novo início, Ele não menciona novamente Sua obra anterior nem dá continuidade a ela. Pois Deus tem os Seus princípios na Sua obra. Quando Ele quer começar uma nova obra, é quando Ele quer trazer a humanidade para um novo estágio da Sua obra, e quando a Sua obra entrou em uma fase mais elevada. Se as pessoas continuarem a agir de acordo com os ditos ou regulamentos antigos ou continuarem a se apegar a eles, Ele não irá lembrar ou elogiar isso. Isso acontece porque Ele já trouxe uma nova obra e entrou em uma nova fase da Sua obra. Quando Ele inicia uma nova obra, Ele aparece para a humanidade com uma imagem inteiramente nova, de um ângulo completamente novo, e de uma maneira completamente nova, para que as pessoas possam ver diferentes aspectos do Seu caráter e o que Ele tem e é. Esse é um dos Seus objetivos na Sua nova obra. Deus não Se apega ao que é velho nem segue a senda mais usada; quando Ele opera e fala, não é tão proibitivo quanto as pessoas imaginam. Em Deus, tudo é livre e liberado, e não há proibitividade, nem restrições — tudo que Ele traz para a humanidade é liberdade e libertação. Ele é um Deus vivo, um Deus que existe genuína e verdadeiramente. Ele não é uma marionete nem uma escultura de barro e é totalmente diferente dos ídolos que as pessoas consagram e adoram. Ele é vivo e vibrante e o que Suas palavras e a Sua obra trazem para os humanos é inteiramente vida e luz, liberdade e libertação, porque Ele detém a verdade, a vida e o caminho — Ele não é limitado por nada em nenhuma parte da Sua obra. Não importa o que as pessoas digam nem a maneira como veem ou avaliam a Sua nova obra, Ele realizará a Sua obra sem hesitação. Ele não Se preocupará com as concepções de ninguém, nem com dedos apontados à Sua obra e às Suas palavras, nem mesmo com a forte oposição e resistência das pessoas à Sua nova obra. Ninguém, em toda a Criação, pode usar a razão humana, ou a imaginação humana, o conhecimento ou a moralidade para medir ou definir o que Deus faz, para desacreditar, destruir ou sabotar a Sua obra. Não há proibitividade na Sua obra e no que Ele faz, e ela não será restringida por nenhum homem, coisa ou objeto, e não será interrompida por nenhuma força hostil. No que diz respeito a Sua nova obra, Ele é um Rei sempre vitorioso, e todas as forças hostis e todas as heresias e falácias da humanidade são pisoteadas debaixo do Seu escabelo. Não importa qual novo estágio da Sua obra Ele esteja realizando, ele certamente será desenvolvido e ampliado em meio à humanidade e certamente será realizado sem impedimentos por todo o universo, até que a Sua grande obra tenha se completado. Essa é a onipotência e sabedoria de Deus, Sua autoridade e poder. Assim, o Senhor Jesus podia sair e operar no sábado abertamente, porque em Seu coração não havia regras, e não havia conhecimento nem doutrina originária da humanidade. O que Ele tinha era a nova obra de Deus e o Seu caminho, e a Sua obra era o caminho para libertar a humanidade, para deixá-la livre, para permitir que ela existisse na luz, e permitir que ela vivesse. E aqueles que adoram ídolos ou falsos deuses vivem todos os dias presos por Satanás, restringidos por todos os tipos de regras e tabus — hoje uma coisa é proibida, amanhã outra — não há liberdade em sua vida. Eles são como prisioneiros algemados, sem nenhuma alegria. O que a “proibição” representa? Ela representa restrições, amarras e maldade. Assim que uma pessoa adora um ídolo, estará adorando um falso deus, adorando um espírito maligno. A proibição vem junto com isso. Você não pode comer isto ou aquilo, hoje você não pode sair, amanhã não pode acender o fogão, no dia seguinte não pode mudar-se para uma casa nova, certos dias devem ser escolhidos para casamentos e enterros, e até mesmo para dar à luz uma criança. Como se chama isso? Chama-se proibição; é a escravidão da humanidade, e são os grilhões de Satanás e dos espíritos malignos que os controlam, e lhes confinam o coração e o corpo. Essas proibições existem com Deus? Ao falar da santidade de Deus, você deve primeiro pensar nisto: com Deus não há proibições. Deus tem princípios nas Suas palavras e obras, mas não há proibições, pois o Próprio Deus é a verdade, o caminho e a vida.

Vejamos agora a seguinte passagem: “Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor” (Mateus 12:6-8). A que se refere “templo” aqui? Simplificando, “templo” se refere a um edifício alto e magnífico e, na Era da Lei, o templo era um local para os sacerdotes adorarem a Deus. Quando o Senhor Jesus disse: “Aqui está o que é maior do que o templo”, a quem estava se referindo? Claramente, “o que” é o Senhor Jesus na carne, porque apenas Ele era maior que o templo. O que essas palavras disseram às pessoas? Elas disseram às pessoas que saíssem do templo — Deus já havia saído e não estava mais operando nele, portanto as pessoas deveriam buscar os passos de Deus fora do templo e seguir Seus passos na Sua nova obra. O contexto em que o Senhor Jesus disse isso era que, sob a lei, as pessoas tinham passado a ver o templo como algo maior que o Próprio Deus. Isto é, as pessoas adoravam o templo em vez de adorar a Deus, por isso o Senhor Jesus as advertiu a não adorar ídolos, mas sim a adorar a Deus porque Ele é supremo. Assim, Ele disse: “Misericórdia quero, e não sacrifícios”. É evidente que, aos olhos do Senhor Jesus, a maioria das pessoas sob a lei não mais adorava a Jeová, mas estava apenas realizando os procedimentos dos sacrifícios, e o Senhor Jesus determinou que esse processo era adoração de ídolos. Esses adoradores de ídolos viam o templo como algo maior e superior a Deus. Em seu coração havia apenas o templo, não Deus, e se eles perdessem o templo, perderiam sua morada. Sem o templo eles não teriam onde adorar e não poderiam realizar seus sacrifícios. Sua suposta morada é onde eles agiam sob o pretexto de adorar a Deus Jeová, permitindo-lhes permanecer no templo e tratar dos seus próprios assuntos. A suposta realização dos sacrifícios servia apenas para levar a cabo suas próprias transações vergonhosas, sob o disfarce de prestar seu serviço no templo. Foi por essa razão que as pessoas daquela época viam o templo como maior que Deus. Porque elas usavam o templo como disfarce e os sacrifícios como pretexto para enganar as pessoas e enganar a Deus, o Senhor Jesus disse isso para alertá-las. Se vocês aplicarem essas palavras ao presente, elas são igualmente válidas e igualmente pertinentes. Embora as pessoas de hoje tenham experimentado obras de Deus diferentes das experimentadas pelas pessoas na Era da Lei, a essência da sua natureza é a mesma. No contexto da obra de hoje, as pessoas ainda fazem o mesmo tipo de coisas como “o templo é maior que Deus”. Por exemplo, as pessoas consideram que cumprir o seu dever é o seu trabalho; elas consideram que dar testemunho de Deus e combater o grande dragão vermelho como movimentos políticos em defesa dos direitos humanos, pela democracia e pela liberdade; eles transformam em carreiras seu dever de utilizar as suas habilidades, porém consideram que temer a Deus e evitar o mal não passam de instâncias de doutrina religiosa para se observar; e assim por diante. Não são essas expressões por parte dos humanos essencialmente o mesmo que “o templo é maior que Deus”? Exceto que dois mil anos atrás as pessoas tratavam dos seus negócios pessoais no templo físico, mas hoje, tratam dos seus negócios pessoais em templos intangíveis. Os que valorizam as regras veem as regras como maiores que Deus, os que amam o status veem o status como maior que Deus, os que amam sua carreira veem a carreira como maior que Deus e assim por diante — todas as suas expressões Me levam a dizer: “As pessoas louvam a Deus como sendo o maior através das suas palavras, mas através dos seus olhos tudo é maior que Deus”. Isso porque, assim que as pessoas encontram uma oportunidade ao longo de sua senda de seguir a Deus para mostrar seus próprios talentos, ou para tratar dos seus próprios negócios ou da sua própria carreira, elas se distanciam de Deus e se lançam na carreira que amam. Quanto àquilo que Deus lhes confiou, e à Sua vontade, essas coisas já foram descartadas há muito tempo. Nesse cenário, o que há de diferente entre essas pessoas e as que tratavam dos seus próprios negócios no templo há dois mil anos?

Extraído de ‘A obra de Deus, o caráter de Deus e o Próprio Deus III’ em “A Palavra manifesta em carne

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