A adversidade da prisão

02 de Fevereiro de 2021

Por Xiao Fan, China

Um dia, em maio de 2004, eu estava numa reunião com alguns irmãos e irmãs, quando mais de vinte policiais invadiram o local. Disseram que eram da Brigada Municipal de Segurança Nacional e que tinham monitorado meu celular durante os últimos quatro meses. Disseram que faziam parte de uma operação em toda a província e que muitos crentes em Deus Todo-Poderoso tinham sido presos. Levaram-me para uma escola do Partido, na cidade, para interrogatório. Assim que entrei, me mandaram tirar os sapatos e agachar. Depois de um tempo, minhas pernas adormeceram, mas toda vez que eu queria mudar de posição, os policiais gritavam comigo, dizendo que eu não devia mexer um músculo sequer. Deixaram-me agachada ali por mais de duas horas antes de me interrogarem. “Quem é seu líder? Onde guardam o dinheiro da igreja?” Eu não disse nada. O capitão da Brigada de Segurança Nacional entrou com um par de algemas e disse furiosamente: “Não percam seu tempo com ela. Que ela prove um pouco disto!”. Então me disse: “Está ouvindo a sala ao lado?”. Eu podia ouvir os gritos de uma irmã na sala ao lado e imediatamente fiquei nervosa e com medo, pensando: “Esses policiais vão me torturar do mesmo jeito. Como suportarei isso?”. Então fiz uma oração em silêncio a Deus, pedindo que Ele me desse força e dizendo que estava disposta a confiar Nele e dar testemunho. Nesse momento, o capitão me derrubou com um chute, algemou minhas mãos por trás das costas e as puxou para cima e para baixo. Depois que ele me puxou e arrastou algumas vezes, desse jeito, eu sentia tanta dor que o suor escorria pelo meu corpo. Ficaram fazendo isso por dez minutos, até que finalmente pararam. Vendo que não tinha funcionado, decidiram tentar algo diferente. Trouxeram alguns policiais de outra área e alguns policiais da tropa de choque da cidade, que passaram a me interrogar, um grupo por vez. Havia quatro em cada grupo, e eles revezavam para me vigiar dia e noite, me atormentando, impedindo que eu pegasse no sono. Quando eu não conseguia mais manter os olhos abertos e adormecia, os policiais jogavam água fria no meu rosto e puxavam meu cabelo, na tentativa de quebrar minha determinação e me obrigar a entregar meus irmãos e irmãs e trair a Deus. Todos os dias, meus nervos eram estendidos ao ponto de ruptura; eu temia que, se eu perdesse a concentração por um instante, eu poderia revelar informações sobre a igreja. Fiquei orando a Deus em meu coração, pedindo que Ele me guiasse nesses dias terríveis. Os policiais me humilhavam deliberadamente, também. Não permitiam que eu fechasse a porta quando precisava ir ao banheiro, enquanto policiais homens ficavam passando ali fora. Alguns faziam questão de olhar para dentro e, muitas vezes, ficavam parados na porta, olhando para mim no banheiro. Fui interrogada e torturada dessa forma por doze dias. Por não ter dormido por mais de dez dias e por meus nervos estarem aos frangalhos, acabei severamente constipada. A tortura me fez passar de 58 para 52 quilos. Perdi 6 quilos em apenas 12 dias.

No décimo terceiro dia, a polícia me levou para uma casa de detenção na cidade. Menos de um mês depois, me levaram para um hotel de luxo para ser monitorada. Trouxeram meu marido e nos deixaram a sós, num quarto, para que ele me encorajasse a entregar informações sobre a igreja. No início, comecei a fraquejar e quis tanto sair daquele inferno, com meu marido, o mais rápido possível. Mas para sair dali, eu teria de trair a Deus e entregar meus irmãos e irmãs. Então me lembrei das palavras de Deus: “Vocês precisam estar atentos e em espera o tempo todo e precisam orar mais perante Mim. Vocês precisam reconhecer os diversos complôs e esquemas astutos de Satanás, reconhecer os espíritos, conhecer as pessoas e ser capazes de discernir todos os tipos de pessoas, acontecimentos e coisas” (‘Capítulo 17’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me lembraram de que a polícia tinha trazido meu marido para me amolecer, para que eu traísse a Deus. Esse era o esquema astuto de Satanás, e eu corria perigo de cair nessa armadilha. Pensei em como, quando os policiais me interrogaram, eles me deram uma lista de nomes de irmãos e irmãs e algumas fotos para que eu identificasse aqueles que conhecia, mas eu me recusei. Também me lembrei de que meu marido tinha sempre apoiado a minha fé, e pensei que poderia usar essa oportunidade para alertar esses irmãos e irmãs, através do meu marido, para que se escondessem e evitassem a prisão. Assim, fingi chorar no ombro do meu marido e sussurrei meu plano em seu ouvido. Ele concordou. Para a minha surpresa, uma policial imediatamente entrou no quarto e disse ao meu marido: “Nós o trouxemos para que você nos ajudasse. Sobre o que estavam conversando? Saia daqui!”. O plano da polícia era que meu marido me encorajasse a entregar informações sobre a igreja e a trair a Deus, mas quando essa policial viu que seu esquema não tinha funcionado, ela se exasperou e expulsou meu marido. Esses policiais eram tão sinistros e malignos! Graças à orientação de Deus, que me impediu de cair no esquema astuto de Satanás.

Mais tarde, a polícia me levou de volta para a escola do Partido, para me interrogar. Algemaram-me a um banco do tigre, e uma policial entrou na sala e começou a espancar meu rosto com um chinelo de plástico. Tudo ficou escuro, e fiquei largada na cadeira. Ela disse que eu estava fingindo e então, aos palavrões, puxou meu cabelo e continuou a me espancar. Meu rosto inchou como uma berinjela, e escorreu sangue dos meus olhos. Um policial veio e me soltou do banco do tigre, depois me puxou pelo cabelo e tentou me enfiar debaixo do banco. Eu não cabia, então ele me chutou e xingou, dizendo que eu era pior do que um cachorro. Eles me enfiaram debaixo da cadeira e me proibiram de me mexer; depois me colocaram de volta na cadeira e me algemaram de novo. Ser espancada tão brutalmente e ser humilhada desse jeito me deixou terrivelmente agitada, e comecei a enfraquecer. Pensei: “Eles não param de me torturar. Quando isso acabará?”. Sentindo dor extrema, comecei a desejar a morte, mas eu estava algemada ao banco do tigre, por isso não havia como isso acontecer. Assim, continuei orando a Deus no meu coração e então me lembrei de todos os santos que foram perseguidos ao longo da história por pregarem o evangelho do Senhor. Alguns foram despedaçados por cavalos, outros, apedrejados até a morte, e outros foram serrados em pedaços. Todos passaram por tortura que uma pessoa normal não teria suportado, e todos deram testemunho de Deus com sua vida. Eu, porém, não estava aguentando nem esse pouquinho de dor e até desejei a morte como meio de fuga. Eu fui fraca demais, e não estava dando testemunho nenhum. Pensando nessas coisas, fui tomada de remorso e angústia, então corri para diante de Deus para orar e me arrepender. Nesse momento, percebi um pequeno pássaro sentado numa janela. Suas penas eram cinzentas, e lembro que caía uma chuva suave nesse dia. O pássaro ficava cantando, e parecia que estava dizendo: “Dê testemunho, dê testemunho…”. O canto do pássaro foi ficando cada vez mais rápido, até ele ficar rouco. Percebi que Deus estava usando esse pássaro como um lembrete para mim e fiquei muito comovida. Chorei ao orar a Deus, dizendo: “Amado Deus, não quero ser medrosa nem covarde. Não quero morrer de forma tão fraca e assustada. Por favor, dá-me fé e força. Quero dar testemunho e envergonhar Satanás”. Então, as palavras de Deus me vieram à mente: “Talvez todos vocês se lembrem destas palavras: ‘Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória’. Vocês todos ouviram essas palavras antes, mas nenhum de vocês entendeu o seu sentido real. Hoje, vocês estão profundamente conscientes de seu verdadeiro significado. Essas palavras serão cumpridas por Deus durante os últimos dias, e elas serão cumpridas naqueles que foram brutalmente perseguidos pelo grande dragão vermelho na terra na qual ele repousa enrolado. O grande dragão vermelho persegue a Deus e é inimigo Dele, e assim, nesta terra, aqueles que creem em Deus são assim sujeitos à humilhação e à opressão, e essas palavras são cumpridas em vocês, este grupo de pessoas, como resultado” (‘A obra de Deus é tão simples quanto o homem imagina?’ em “A Palavra manifesta em carne”). “Durante estes últimos dias, vocês devem dar testemunho de Deus. Não importa quão grande seja o sofrimento de vocês, devem caminhar até o fim e até mesmo até seu último suspiro, ainda assim vocês devem ser fieis a Deus e ficar à mercê de Deus; só isso é realmente amar a Deus e apenas isso é o testemunho forte e retumbante” (‘Somente experimentando provações dolorosas é que você pode conhecer a amabilidade de Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me confortaram e encorajaram. Mostraram-me que era inevitável que o PC Chinês me perseguisse e prejudicasse em minha fé em Deus e no cumprimento do meu dever, pois o PC Chinês é o diabo Satanás, o inimigo de Deus. Mas a sabedoria de Deus é exercida com base nos esquemas astutos de Satanás, e Deus usa a perseguição e as torturas cruéis aplicadas por Satanás para aperfeiçoar nossa fé e obediência, e, ao fazê-lo, ele forma um grupo de vencedores. Eu estava sofrendo para o bem de ganhar a verdade, e esse sofrimento tinha sentido e valor. Nesse momento, pensei em como o Próprio Deus se tornou carne para nos salvar e suportou rejeição e zombaria, e foi caçado e perseguido pelo PC Chinês, incapaz de achar abrigo. Deus sofreu tanta dor e humilhação; então, como ser humano corrupto, o que meu pouco sofrimento chegava a ser? Era uma honra poder sofrer ao lado de Cristo. Eu não podia encarar a morte com medo; não importava quanto Satanás me torturasse, decidi que daria testemunho para satisfazer a Deus até o meu último suspiro! Mais tarde, o chefe da Brigada de Segurança Nacional disse, com um sorriso sinistro: “Você parece estar aguentando bem. Nossa intenção não era tratá-la desse jeito. Contanto que nos conte tudo e coopere, garanto que você poderá voltar para casa em breve e se reunir com sua família”. Trouxeram pão e algumas coxas de frango para eu comer, mas eu sabia que era apenas outro esquema para me levar a trair a Deus. Olhei para eles e disse com firmeza: “Não aprecio seu gesto, portanto não se incomodem. Sou apenas carne na tábua de corte que vocês podem cortar como quiserem. Sei que não sairei daqui viva e aceitei isso, então façam o que quiserem fazer. Eu já lhes disse que não sei as respostas para as suas perguntas!”. Então ele disse, com um sorriso frio: “Não seja tão séria. Relaxe um pouco. Diga-nos o que queremos saber, e você pode ir para casa”. Então ele se virou e foi embora. Depois disso, os policiais me deixaram sentada no banco do tigre. Duas semanas depois, me levaram para a casa de detenção. Quando me viram com ferimentos tão graves, os funcionários do local recusaram-se a me aceitar. A polícia da Brigada de Segurança Nacional me obrigou a dizer que eu tinha tropeçado e me machucado, então os policiais da casa de detenção não tiveram escolha e tiveram de me aceitar.

Fiquei na casa de detenção por um mês. Então a polícia me levou de volta para a escola do Partido, para me interrogar de novo. Eles me deixavam no banco do tigre 24 horas por dia, em posição ereta e com as pernas num ângulo de 90º. Isso durou um mês. A dor no meu pescoço era insuportável, e minhas pernas incharam muito. A polícia sempre me atiçava, insultava e espancava, e, por dentro, eu fiquei furiosa. Eu os ouvi conversando sobre como tinham capturado vários crentes em Deus Todo-Poderoso, dizendo que não importava se a pessoa detida era homem, mulher, velho ou jovem, eles primeiro a torturavam para assustá-la e depois iam jogar bola. Diziam que era um meio de dissuasão. Quando ouvi esses monstros se gabarem de como estavam machucando meus irmãos e irmãs e ouvi suas risadas brutas e orgulhosas, apertei os dentes em profundo ódio. O PC Chinês é realmente um bando de demônios que se divertem com a dor dos outros. Orei em silêncio, amaldiçoando esses monstros. Mais tarde, a polícia viu que não conseguiria arrancar de mim nenhuma das informações que queria, então fui transferida para um centro de detenção, uma casa de detenção para criminosos, e depois para um lugar no qual fariam lavagem cerebral em mim. Finalmente, me levaram de volta para a casa de detenção municipal, onde fiquei presa por um ano e três meses. A polícia fez tudo isso para quebrar meu espírito e me levar a trair a Deus, mas não conseguiu. Mais tarde, me acusaram de “usar superstições feudais para interferir com a implementação da lei” e me condenaram a quatro anos.

Na prisão, eu soube mais uma vez como era viver num inferno. Fui obrigada a fazer roupas numa linha de produção em que todos tinham uma tarefa própria. Se não conseguisse acompanhar o processo ou não conseguisse completar sua tarefa, você era obrigado a ficar de pé por trinta a sessenta minutos depois de encerrar o trabalho, às onze da noite. Durante esse período, com exceção das refeições, passei todo o meu tempo nessa oficina. Não podia parar para beber água quando estava com sede, e tinha de ir ao banheiro e voltar correndo. Acabei seriamente constipada. Por passar todos os dias sentada, trabalhando, e por sempre haver tanto trabalho a ser feito, além da tortura que eu tinha sofrido nas mãos da polícia, sendo obrigada a ficar sentada no banco do tigre por mais de dois meses, a dor severa no pescoço reapareceu, e eu tinha dor de cabeça e náusea com frequência. Uma vez, escorreguei e caí no chuveiro e bati a cabeça no chão. Bati com as costas nos degraus e fiquei tonta e não consegui me mexer. Achei que tinha quebrado a coluna; doía tanto. Até as outras prisioneiras disseram que eu ia morrer ou ficar paralisada. Todas gritaram por ajuda e tocaram o alarme, mas não veio ninguém. No fim, algumas prisioneiras me carregaram para a cama. Senti que meu corpo estava quebrado, e não parava de chorar de dor. Nessa noite, a dor foi tão forte que não consegui dormir. Finalmente, uma guarda veio às oito da manhã, no dia seguinte. Impaciente, ela exigiu saber quanto eu tinha me machucado. Eu disse: “Acho que minha coluna está quebrada. Não consigo me mexer. E a minha cabeça dói muito”. Mas ela zombou de mim e disse: “Não é nenhum problema. Você precisa subir para o andar de cima para trabalhar, tem muito a fazer. Se não consegue se mexer, encontre alguém que te carregue. Se ninguém ajudar, terá que se arrastar até lá por conta própria!”. Ela deu meia-volta e foi embora. Assim, tive de suportar aquela dor terrível e pedir que as outras prisioneiras me ajudassem a sair da cama. Levei entre trinta e quarenta minutos só para me sentar na cama, depois fui lentamente até a escada e subi. Foi uma verdadeira luta chegar ao meu local de trabalho, e tentei me sentar, mas depois de muitas tentativas, vi que não conseguiria. No fim, tive de me agarrar à minha máquina e, de dentes cerrados, usar toda a minha força para me sentar. Senti algo quebrando nas minhas costas, e a dor era excruciante. Foi muito difícil aguentar até a médica de plantão aparecer, mas tudo que ela fez foi passar iodo em mim e me dar três comprimidos de ginseng chinesa. Mandou engolir tudo e voltar ao trabalho. Assim, com a dor que sentia no corpo e no coração, achei que não aguentaria mais por muito tempo. Odiava tanto esses policiais por me tratarem de forma tão desumana. Aos seus olhos, os prisioneiros eram piores que cachorros — éramos apenas máquinas de fazer dinheiro para eles. Lembrei que estava na prisão havia menos de um ano, e minha sentença era de quatro. Como aguentaria tanto tempo? Eu realmente não sabia se sobreviveria. Senti-me muito abandonada e desolada quando pensei nisso. Sem perceber, comecei a cantarolar meu hino favorito das palavras de Deus: “Quando encarar sofrimentos, você deve ser capaz de deixar de lado qualquer preocupação com a carne e de não fazer reclamações contra Deus. Quando Deus Se esconde de você, você deve ser capaz de ter a fé para segui-Lo e de manter seu antigo amor sem permitir que fraqueje ou se dissipe. Não importa o que Deus faça, você deve se submeter ao Seu desígnio e estar preparado para amaldiçoar a própria carne em vez de fazer reclamações contra Ele. Quando encarar provações, você deve satisfazer a Deus, embora você possa chorar amargamente ou se sentir relutante em se separar de algum objeto amado. Somente isso é amor e fé verdadeiros. Não importa qual seja sua real estatura, você deve primeiro possuir tanto a disposição para sofrer dificuldades como a verdadeira fé, e também deve ter a disposição para abandonar a carne. Você deve estar disposto a suportar dificuldades pessoais e a sofrer perdas em seus interesses pessoais a fim de satisfazer a vontade de Deus. Você também deve ser capaz de sentir remorso de si mesmo no seu coração: no passado você não foi capaz de satisfazer a Deus e, agora, você pode se arrepender. Você não deve estar carente de nenhuma dessas coisas — é por meio dessas coisas que Deus aperfeiçoará você. Se você não pode satisfazer esses critérios, então você não pode ser aperfeiçoado” (‘Como ser aperfeiçoado’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Em silêncio, cantei esse hino, e quanto mais cantava, mas comovida ficava. Senti que minhas forças voltavam e que, embora agora eu estava sofrendo na cova dos diabos, em meu estado enfraquecido, as palavras de Deus ainda estavam me guiando, dando-me fé e força. Deus nunca tinha me abandonado, e, com as palavras de Deus, eu não estaria sozinha. Esse pensamento me deu muito conforto, e eu me arrependi de minha falta de determinação para suportar o sofrimento. Confrontada com essas adversidades e provações, eu tinha caído em negatividade e ferido o coração de Deus. Pensei em tudo que tinha sofrido desde a minha prisão. Eu tinha sido ferida e torturada pela polícia por muito tempo, e se não fosse pela orientação das palavras de Deus e pela proteção de Deus, eu já teria morrido várias vezes a essa altura. Ao sofrer esse tormento desumano mais uma vez, eu tive fé de que, contanto que confiasse em Deus, eu sobreviveria também a isso. Deus estava usando essa situação para aperfeiçoar minha fé. Eu sabia que não podia Lhe causar mais dor; devia confiar Nele, tomar jeito, continuar vivendo e dar testemunho Dele. Esses pensamentos fizeram com que a minha angústia diminuísse. Foram as palavras de Deus que me guiaram e ajudaram a atravessar a dor e a tortura infligida por Satanás. Finalmente, minha sentença terminou, eu tinha sobrevivido e pude sair daquele inferno.

Quando voltei para casa, eu soube que a polícia tinha espalhado boatos, dizendo que eu era uma golpista. Meu marido teve de trabalhar em outro lugar para evitar a fofoca e as acusações dos vizinhos e disse que queria o divórcio. A mãe dele sentiu tanta vergonha quando eu fui presa que mal conseguia olhar para mim. Minha filha também tinha sido zombada por professores e colegas, de modo que nenhuma criança no vilarejo quis mais brincar com ela. Não consegui segurar as lágrimas quando vi o que tinha acontecido. Éramos uma família tão feliz, agora reduzida a isso por causa da perseguição do PC Chinês. Odeio o PC Chinês até a medula dos meus ossos! Sem pedir, uma passagem das palavras de Deus me veio à mente: Deus Todo-Poderoso diz: “Ancestrais dos antigos? Líderes adorados? Todos eles se opõem a Deus! Sua interferência deixou tudo que está debaixo do céu em estado de escuridão e caos! Liberdade religiosa? Direitos e interesses legítimos dos cidadãos? São todos truques para encobrir o pecado! […] Por que erguer um obstáculo tão impenetrável para a obra de Deus? Por que usar diversos truques para enganar o povo de Deus? Onde estão a verdadeira liberdade e os direitos e interesses legítimos? Onde está a justiça? Onde está o conforto? Onde está a ternura? Por que usar esquemas ardilosos para enganar o povo de Deus? Por que usar força para suprimir a vinda de Deus? Por que não permitir que Deus circule livremente pela terra que Ele criou? Por que perseguir Deus até que Ele não tenha mais onde descansar a Sua cabeça? Onde está o calor entre os homens? Onde estão as boas-vindas entre as pessoas? Por que causar um anseio tão desesperado em Deus? Por que fazer Deus clamar vez após outra? Por que forçar Deus a se preocupar com Seu amado Filho? Nesta sociedade obscura, por que seus cães de guarda deploráveis não permitem que Deus venha e vá livremente no meio do mundo que Ele criou?” (‘Obra e entrada (8)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Quando contemplei as palavras de Deus, entendi perfeitamente a feiura do PC Chinês. Ele finge ser justo por fora, falando sobre “liberdade de crença religiosa”, “preservar a lei e a ordem para as pessoas” e “cuidar das pessoas”. Diz todas as coisas certas sobre virtude e moralidade, e secretamente, porém, usa qualquer meio para prender e perseguir os crentes e espalhar boatos, fazendo com que inúmeros cristãos sejam presos, impedidos de voltar para casa, e destruindo suas famílias. Nunca tinha visto o PC Chinês como realmente era e costumava idolatrá-lo. Mas após sofrer perseguição, vi finalmente que o PC Chinês é o demônio-chefe que prejudica as pessoas. Em essência, é o inimigo de Deus e da verdade, e é o bando de diabos mais maligno e reacionário.

Depois que saí da prisão, a polícia nunca desistiu de me monitorar. Os policiais da nossa delegacia sempre perguntavam se eu ainda acreditava em Deus, e quando eu lia as palavras de Deus em casa, tinha de manter a porta da frente trancada. Eu era obrigada a esconder meu livro das palavras de Deus no lugar mais secreto e a ser cuidadosa e cautelosa quando ia a uma reunião ou pregava o evangelho. Certo dia, em março de 2013, uma líder e dois diáconos da igreja pela qual eu era responsável foram presos e eu tive de organizar rapidamente que algumas coisas da igreja fossem transferidas e notificar alguns irmãos e irmãs para que ficassem atentos. Quando estava resolvendo tudo isso, ouvi uma irmã dizer: “A líder que foi presa estava com uma lista de irmãos e irmãs; agora, a polícia está com essa lista”. Ela disse que a polícia reunira todos os vídeos das câmeras de vigilância, procurando estranhos, e que estava se preparando para ir de porta em porta à procura de crentes. Também fizeram esta ameaça: “É melhor prender mil pessoas erradas do que permitir que um crente escape da rede!”. Fiquei muito nervosa e assustada quando ouvi isso. Eu já tinha sido presa por causa da minha fé; por isso, eles tinham um arquivo com o meu nome. Se a polícia usasse monitoramento com reconhecimento facial, eu certamente seria presa. Se fosse presa de novo, eu não sobreviveria — eles fariam de tudo para garantir isso. Pensando nisso, percebi que devia sumir dali o mais rápido possível. Mas quando cheguei a outra igreja, não consegui acalmar minha mente e tive uma crise de consciência. Havia muito trabalho naquela igreja que precisava ser arranjado com urgência, mas eu tinha largado minha comissão para proteger a minha vida. Se eu partisse agora, não estaria protegendo os interesses da casa de Deus! Onde estavam minha consciência e humanidade? Eu não estava agindo com medo e covardia? Eu não tinha fé verdadeira em Deus — onde estava meu testemunho? Quando pensei nisso, corri para diante de Deus, para orar, pedindo que Ele me desse fé e força e me protegesse para que eu pudesse dar testemunho.

Então li uma passagem das palavras de Deus: “Quando as pessoas estão preparadas para sacrificar a própria vida, tudo se torna insignificante e ninguém consegue vencê-las. O que poderia ser mais importante que a vida? Assim, Satanás se torna incapaz de fazer algo mais nas pessoas, não há nada que ele possa fazer com o homem. Embora, na definição da ‘carne’, se diga que a carne é corrompida por Satanás, se as pessoas verdadeiramente se entregarem, e não forem guiadas por Satanás, então ninguém consegue vencê-las” (‘Capítulo 36’ das Interpretações dos mistérios das palavras de Deus para todo o universo em “A Palavra manifesta em carne”). Ponderando sobre as palavras de Deus, entendi que essa situação era o teste de Deus e que uma guerra estava sendo travada no mundo espiritual. Sabia que devia ficar do lado de Deus e oferecer minha vida para envergonhar Satanás e dar testemunho de Deus; eu não podia virar as costas e fugir num momento tão crucial! Eu devia proteger o trabalho da casa de Deus — essa era a coisa que uma pessoa com consciência e humanidade faria. Eu estava sofrendo perseguição em nome da justiça, e mesmo que morresse, ainda assim valeria a pena. Se eu vivesse de forma ignóbil e me entregasse a Satanás, meu corpo sobreviveria, mas eu seria igual a uma morta-viva. Eu me senti libertada quando pensei nisso, então corri de volta para aquela igreja e organizei a transferência de todos os livros das palavras de Deus com os irmãos e irmãs e lhes disse que deviam se esconder. Todo o trabalho da igreja foi arranjado rapidamente, e agradeci a Deus por sua orientação!

Tendo acreditado em Deus Todo-Poderoso por mais de vinte anos e sofrido constantemente a perseguição e a opressão do PC Chinês, embora tenha sofrido alguma dor, sob a orientação das palavras de Deus, vim a entender algumas verdades e aprendi a discernir entre o certo e o errado, entre justiça e maldade. Também aprendi a confiar em Deus em circunstâncias tão extraordinárias. Realmente sinto a autoridade nas palavras de Deus, e minha fé em Deus cresceu. Tudo isso foi pela graça de Deus. Graças a Deus Todo-Poderoso!

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