Um renascimento

24 de Agosto de 2019

Yang Zheng Província de Heilongjiang

Eu nasci em uma família rural pobre, que tinha uma forma de pensar bem antiquada. Eu era vaidoso desde muito jovem e meu desejo por status era muito forte. Com o tempo, através de influência social e uma educação tradicional, eu acumulei em meu coração todo tipo de regras de Satanás para minha sobrevivência. Toda espécie de falsidade alimentava meu desejo por reputação e status, tais como construir uma linda casa com minhas próprias mãos, alcançar a imortalidade pela fama e que as pessoas precisam de uma aparência como uma árvore precisa da casca, chegar à frente e alcançar o topo, trazer honra aos antepassados, etc. Essas coisas se tornaram a minha vida e me fizeram crer firmemente que, enquanto vivemos nesse mundo, temos que trabalhar para ser altamente valorizados pelos outros. Não importa qual seja o grupo no qual devemos ter status, devemos ser aquele que mais se destaca. Somente vivendo dessa maneira teremos integridade e dignidade. Somente quem vive assim é valorizado. Motivado a alcançar meu sonho, estudei diligentemente no ensino fundamental. Nunca perdi uma aula, mesmo quando passei por doenças ou tempestades. Dia após dia, da mesma maneira, eu finalmente cheguei ao ensino médio. Quando via que estava chegando cada vez mais próximo o dia de realizar meu sonho, não ousava descuidar. Com frequência eu dizia a mim mesmo que tinha que perseverar e me apresentar bem diante dos meus professores e colegas de classe. Porém, justo naquele momento, algo inesperado aconteceu. Houve um escândalo sobre a nossa professora titular e o diretor da escola, que causou um alvoroço. Todos os alunos e professores sabiam o que tinha acontecido. Um dia na aula, a professora nos perguntou se tínhamos ouvido sobre o ocorrido e todos os alunos disseram: “Não.” Eu fui o único que respondi honestamente: “Eu ouvi.” Daquele momento em diante a professora me via como um espinho na carne e frequentemente encontrava meios de dificultar as coisas e me reprimir. Meus colegas começaram a se afastar e me excluir. Debochavam de mim e me humilhavam. Finalmente, não aguentei mais aquele tormento e saí da escola. Foi assim que meu sonho de chegar à frente e alcançar o topo foi destruído. Pensando em meus dias futuros com o rosto no chão e de costas para o céu, senti uma tristeza e melancolia inexprimíveis. Pensei: será que vou passar toda minha vida de forma tão banal? Sem status, prestigio, nem futuro. Qual é o sentindo de viver assim? Eu não estava disposto a aceitar aquilo, mas era incapaz de mudar minhas circunstâncias. Justo quando eu estava passando por um momento doloroso e desesperador, incapaz de me libertar, Deus Todo-Poderoso me salvou e reacendeu a esperança que estava apagada em meu coração. A partir daquele momento, comecei a ter uma vida completamente nova.

Em março de 1999, eu tive a feliz oportunidade de ouvir o evangelho dos últimos dias de Deus Todo-Poderoso. Eu aprendi que o Deus encarnado tinha vindo à terra e Ele Mesmo estava falando e guiando a humanidade para nos salvar do império de Satanás, para permitir que livrássemos nossa vida de estar em dor, de estarmos caídos, para vivermos um novo céu na terra. Ouvi muitas verdades que nunca tinha escutado antes da comunhão paciente e cuidadosa dos irmãos e irmãs, como: o plano de gestão de seis mil anos de Deus, o mistério de como Deus veio em carne, que as pessoas corruptas precisam da salvação do Deus encarnado, qual o sentido da criação, como adorar o Senhor de toda a criação, como viver a humanidade normal, o que é a vida humana de verdade… Eu fui profundamente atraído por essas verdades que me ajudaram a crer firmemente que essa é a obra do verdadeiro Deus. Naquele dia, meus irmãos e irmãs também cantaram uma canção sobre a experiência da vida, “Deus nos ama mais profundamente”: “Deus Todo-Poderoso, eu me confio a Ti. Lembrando-me de como eu tinha vagado pelo mundo, sinto profundamente a indiferença e inconstância das pessoas. Eu lutava e tateava pela escuridão. O sofrimento da vida é sem fim; banhando meu rosto em lágrimas, eu definhava ao longo dos anos. Desprovido de esperança, eu só podia viver desamparado, em desespero. Deus Todo-Poderoso, Tu nos amas profundamente. Tuas palavras me despertam. Finalmente volto para Ti e me livro da minha vida dolorosa. Tuas palavras me iluminam, vejo uma vida brilhante. Desfruto Tuas palavras e vivo em Tua presença, meu coração está cheio de paz e alegria” (de “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Isso iluminou minha alma que estava na escuridão por tanto tempo, como um raio de luz, e não pude evitar de irromper em lágrimas. Muitos anos de repressão, injustiças e tristeza pareciam de repente ser libertos. Senti meu coração tão mais leve. Eu estava muito empolgado, mas, acima de tudo, estava mais grato a Deus por me escolher entre milhões de pessoas, permitindo que minha alma triste e cansada encontrasse um abrigo caloroso. Daquele momento em diante minha vida mudou radicalmente. Eu não estava mais desconsolado e abatido e me concentrei na leitura da palavra de Deus, nas reuniões e na comunhão sobre a verdade. Todos os dias eram completos e felizes. Mais à frente, comecei a cumprir meu dever de pregar o evangelho. Como eu estava muito entusiasmado e positivo, e por ter certo calibre, depois de pouco tempo eu já estava dando fruto. Fui elogiado pelo líder evangélico da minha equipe e os irmãos e irmãs também me admiravam. Eles sempre vinham até a mim para perguntar sobre coisas que não entendiam da pregação do evangelho. Sem me dar conta, eu comecei a me sentir um pouco satisfeito comigo mesmo e pensei: a reputação e o status que eu esperava conseguir no mundo por tantos anos, alcancei na igreja tão depressa. Meu lado “herói” finalmente encontrou seu lugar! Ao ver minhas conquistas me senti muito realizado e trabalhei ainda mais duro para cumprir meu dever. Não importava o tamanho da dificuldade que enfrentava, eu fazia o máximo para superá-la. Não importava o que a igreja me pedia para fazer, eu obedecia com disposição e fazia o meu melhor. Às vezes, o líder da igreja lidava comigo e podava alguns aspectos em mim, porque eu não havia cumprido meu dever muito bem. Não importava o quanto ficasse chateado, eu não me justificava. Mesmo sofrendo bastante durante esse tempo, contanto que tivesse status entre meus irmãos e irmãs e fosse admirado por eles, o preço valia a pena. Mas Deus pode ver dentro de cada parte das pessoas. Com o intuito de transformar minhas visões errôneas e valores humanos da vida e limpar as impurezas da minha crença em Deus e do cumprimento dos meus deveres, Deus, repetidas vezes, arranjou ambientes para me julgar e me salvar.

Isso aconteceu em 2003, quando eu fui promovido para atuar como líder evangélico de equipe. Juntamente com a promoção do meu status, o âmbito do meu trabalho também foi expandido e me senti mais satisfeito comigo mesmo: o ouro brilha em todo lugar. Eu estou determinado a fazer bem o meu trabalho e ascender continuamente para que meus irmãos e irmãs me invejem e adorem. Isso seria maravilhoso! Quando cheguei ao lugar onde deveria desempenhar meu dever, o líder levou em consideração que eu era novo naquela função e me faltava experiência e metodologia, então, ele reuniu vários outros líderes evangélicos de equipe das regiões mais próximas para que pudéssemos aprender uns com os outros. Mas, durante a comunhão, vi que todos eram mais velhos que eu e de um nível mais baixo. Quando comungávamos sobre as palavras de Deus, também notei que eles não comunicavam tão claramente quanto eu. Inevitavelmente, fiquei orgulhoso e os menosprezava em meus pensamentos. Achava que faria um bom trabalho por conta própria. Depois da reunião fui imediatamente até todas as equipes para conhecer melhor o trabalho delas. Quando descobri alguns erros e omissões e que alguns irmãos e irmãs eram incapazes de pregar o evangelho e testemunhar para Deus, eu fiquei ansioso e zangado. Tive que repreender meus irmãos e irmãs: “Será que não podem cumprir seus deveres conforme a vontade de Deus? Vocês não querem pagar o custo, mas querem ser salvos por Deus. Uma pessoa assim faz algum sentido?…” Às vezes, durante comunhão eu me exibia, contando a todos sobre minha participação na obra evangélica e todos os resultados que tinha atingido. Quando via inveja nos rostos dos irmãos e irmãs, eu ficava convencido e achava que tinha mais responsabilidade do que os outros. Com o passar do tempo, meus irmãos e irmãs sempre discutiam questões comigo, em vez de se concentrarem em orar a Deus ou apoiarem-se Nele. E eu, não apenas não temia, mas gostava daquilo. Finalmente, perdi totalmente o controle da obra do Espírito Santo e literalmente não conseguia mais trabalhar. No início de 2004 a igreja me afastou dos meus deveres e me fez voltar para casa para um tempo de reflexão espiritual. Quando enfrentei essa realidade, foi como se estivesse caindo rapidamente em um buraco sem fundo. Meu corpo inteiro estava flácido e fraco, com um sentimento intenso de frustração. Pensei: era tão maravilhoso quando comecei a cumprir meus deveres. E agora, como vou voltar após tão grande vergonha, como poderei encarar minha família e os irmãos e irmãs em minha cidade? O que pensarão de mim? Será que vão debochar de mim e me desprezar? Quando pensei que perderia minha imagem e status na opinião das pessoas, desmoronei. Não conseguia me livrar da negação que estava vivendo e nem continuar lendo as palavras de Deus. No meio da agonia, eu não conseguia orar a Deus: “Ó Deus! Estou tão enfraquecido agora e meu espírito está na escuridão, pois sou incapaz de aceitar que fui substituído. Tampouco consigo aceitar os planos da igreja, mas sei que tudo que Tu fazes é bom e contém Tua graciosa vontade”. Depois de orar, essas palavras me iluminaram: “Em sua busca, vocês têm muitas ideias pessoais, esperanças e futuros. A obra atual tem a finalidade de lidar com seu anseio por status e seus desejos extravagantes. As esperanças, o desejo de[a] status, e as noções são todas representações clássicas do caráter satânico. […] Embora tenham chegado a essa etapa hoje, vocês ainda não abriram mão do status, mas estão lutando para questioná-lo e observando-o diariamente, com um temor profundo de que um dia seu status seja perdido, e seu nome, arruinado. […] Agora vocês são seguidores e têm algum entendimento deste estágio da obra. Contudo, vocês ainda não deixaram de lado o desejo de status. Quando seu status é elevado, vocês buscam bem, mas quando é baixo, vocês não buscam mais. As bênçãos de status estão sempre em sua mente. Por que é que a maioria das pessoas não consegue sair da negatividade? Não é sempre por causa de prospectos desanimadores?” (de ‘Por que você não está disposto a ser um contraste?’ em “A Palavra manifesta em carne”). O julgamento revelado nas palavras de Deus me despertou bruscamente, e me fez entender que a obra d’Ele naquele momento era lidar com meu desejo por status e me colocar no caminho certo da vida. Ao pensar no passado, percebi que meu otimismo do início do trabalho só existia enquanto eu tinha status. Eu estava extremamente confiante e não temia o sofrimento nem as dificuldades. Mas quando alguém teve que lidar comigo ou me podar, não resisti. Depois que fui liberado e tive que voltar para casa, não conseguia me livrar da minha negatividade. Eu notei que, quando me viam por fora, parecia que eu estava cumprindo meu dever, mas, na verdade, eu estava levantando a bandeira do cumprimento do dever, enquanto fazia tudo por minha própria conta. Era como se eu estivesse usando a Deus apenas para satisfazer meus próprios desejos que estavam escondidos por muitos anos — para chegar à frente e ser visto no topo. E meu intuito não era buscar a verdade, muito menos cumprir o dever da criatura para satisfazer a Deus. Quando estava cumprindo meu dever e via a incapacidade dos meus irmãos e irmãs, eu não apenas não os ajudava com amor, mas me apoiava na minha posição para repreendê-los. Eu elevei a mim mesmo de propósito, me coloquei como minha própria testemunha e desejava a adoração de todos. Do início ao fim, eu só tinha uma meta em meus pensamentos e ações. Isso não era resistir descaradamente a Deus? O ser humano foi criado por Deus, para adorá-Lo e admirá-Lo. Nossos corações somente deveriam ter espaço para o status de Deus, mas eu era uma pessoa imunda, corrupta e baixa que queria ter um lugar no coração dos outros. Isso não é ser terrivelmente arrogante? Não é ultrajante e contrário a Deus? Esse comportamento não é uma ofensa séria contra o caráter de Deus? Quando pensei nisso, eu não consegui fazer mais nada além de tremer de temor da minha própria natureza arrogante. No final, eu já estava em uma situação perigosa, sujeito ao castigo de Deus! O caráter de Deus é justo e santo e não tolera ser ofendido pelo homem. Como Ele poderia permitir que eu, essa criança rebelde, incomodasse e atrapalhasse sua obra com minha teimosia? Somente então, percebi que minha libertação foi uma demonstração da grande tolerância e do amor de Deus por mim. De outra maneira, eu teria feito um mal muito maior, a tal ponto que seria impossível ser perdoado. Então, seria tarde demais. Quanto mais eu pensava, mais assustado ficava e mais me sentia em dívida com Deus. Eu só conseguia prostrar-me diante d’Ele e orar: “Ó, Deus! Minha natureza é arrogante demais, superficial demais. Eu não busquei a verdade enquanto cumpria meu dever e não pensei em retribuir Teu amor. Eu estava ocupado correndo para lá e para cá atrás de reputação e status e o objetivo do meu coração era chegar à frente na igreja, então como não poderia tropeçar e cair enquanto cumpria meu dever com essa intenção? Se não fosse pelo Teu julgamento e castigo e Tu não tivesses lidado comigo e me podado a tempo, com certeza eu teria continuado no caminho de um inimigo de Cristo. No fim, eu teria arruinado minha chance de salvação. Ó, Deus! Eu te agradeço pela Tua misericórdia e salvação. Desse dia em diante, estou disposto a me libertar das ambições e dos desejos e buscar a verdade e aceitar melhor o Teu julgamento e castigo, para mudar logo meu caráter corrupto.” A iluminação e a orientação de Deus afastaram minha negatividade e me permitiram reconhecer minha própria natureza arrogante e a essência da minha resistência a Deus. Eu também adquiri entendimento da justiça e do caráter de Deus e senti um grande alívio no coração. Eu estava disposto a continuar a buscar a verdade em qualquer ambiente que Deus escolhesse para mim e a compreender Sua verdade mais profundamente.

Depois disso, em minhas buscas, vi as palavras de Deus que diziam: “Eu decido o destino de cada pessoa não com base na idade, senioridade, quantidade de sofrimento, nem muito menos, o grau em que ela causa compaixão, mas de acordo com ela possuir ou não a verdade. Não há outra escolha além dessa. Vocês devem entender que todos os que não seguem a vontade de Deus serão punidos. Esse é um fato imutável” (de ‘Você deve preparar boas ações suficientes para seu destino’ em “A Palavra manifesta em carne”). “Como criatura de Deus, o homem deve procurar cumprir o dever de uma criatura de Deus e buscar amar a Deus sem fazer outras escolhas, pois Deus merece o amor do homem. Os homens que procuram amar a Deus não devem buscar quaisquer benefícios pessoais nem aquilo que pessoalmente anseiam; este é o meio de busca mais correto” (de ‘O sucesso ou o fracasso dependem da senda que o homem percorre’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus já tinham mostrado às pessoas com perfeita e compreensível clareza que a vontade e os requisitos d’Ele eram para que o homem pudesse entender a maneira adequada de buscar e ver qual era o caminho errado. Naquele momento, eu tinha colocado reputação e status acima de tudo, mas, na realidade, Deus não olhava para a altura do status de alguém ou a espécie de senioridade, ou o quanto sofreram por sua crença. Ele olhava para ver se buscavam a verdade e se possuíam o entendimento verdadeiro de Deus. Aqueles que têm a verdade sem um alto status alcançam o louvor d’Ele, porém, os que não têm a verdade, com um alto status, são os que Deus detesta e rejeita. Esse é o caráter de justiça e de santidade de Deus. O status não determina o destino de uma pessoa, nem simboliza sua salvação e sua crença em Deus. Não é a marca de alguém que foi aperfeiçoado por Deus. Mas eu sempre usava o status para medir meu valor e meu maior prazer era ser admirado e adorado pelos outros. Isso não é ser contrário aos requisitos de Deus? Acreditar em Deus dessa maneira não é ser completamente fútil? Não apenas eu não poderia ter sido salvo por Deus, como, no final, eu teria sofrido a punição d’Ele devido aos meus caminhos perversos. Naquele momento, o que Deus me confiou foi permitir que eu entrasse na verdade, para buscar uma mudança de caráter, obediência e amor a Ele, e, no final, ser salvo e aperfeiçoado por Ele. Somente esse era o caminho correto. Depois de entender tudo isso, meu coração estava cheio de gratidão a Deus. Graças ao Seu julgamento e castigo, que me tiraram do caminho errado e me iluminaram para que eu pudesse entender a Sua vontade, consegui, finalmente, ver claramente o perigo e as consequências da busca pela reputação e status. Somente então, pude acordar e voltar em tempo. Através daquela experiência, passei a ter algum conhecimento das minhas visões erradas sobre a busca, entendi algumas verdades e também as intenções gentis de Deus, e recuperei meu estado mental. Assim, eu me lancei novamente no cumprimento do meu dever.

Em julho de 2004, eu fui para uma região remota nas montanhas, para trabalhar em cooperação com um irmão na obra do evangelho. Quando comecei a trabalhar, tinha sempre em mente meus fracassos anteriores como aprendizado. Com frequência relembrava a mim mesmo para não buscar reputação ou status, mas a cumprir meu dever honestamente como uma criatura, assim quando surgiam questões que eu não entendia ou que não estavam claras, eu parava tudo e me dedicava a procurar a comunhão com meu irmão, para conversar e encontrar respostas. Mas, quando minha obra produziu mais frutos, minha natureza arrogante ressurgiu e comecei a me concentrar na minha própria imagem e status novamente. Durante uma reunião, certa vez, um membro do time evangélico local me disse com alegria: “Graças à sua chegada convertemos mais crentes…” Com minha boca eu lhe disse que essa era a obra do Espírito Santo, mas em meu coração eu fiquei feliz comigo mesmo. Depois que a reunião terminou e voltei para a casa da minha família anfitriã, sentei na cama e revisei em meus pensamentos cada cena da minha obra naquela situação. Tinha que parabenizar a mim mesmo, pensando: parece que sou realmente capaz de realizar essa obra. Contanto que eu continue a trabalhar duro, certamente serei promovido novamente. Vi-me por inteiro como um herói e o status de Deus já não estava mais no meu coração. Depois disso, quando cumpria meu dever, começava a competir por status e comparar minha posição com meus colegas de trabalho. Comecei a me exibir descaradamente diante dos meus irmãos e irmãs, como se quaisquer resultados da nossa obra fossem resultados dos meus esforços. Justo quando eu estava deslizando aos poucos de volta ao abismo, Deus novamente me estendeu Sua mão salvadora. Uma noite, eu caí doente com uma virose séria. Minha temperatura chegou a 40 graus e mesmo depois de tomar remédio por vários dias, não melhorava. Fui para o hospital para tomar soro, mas minha condição não só não melhorava, como piorava. Eu não conseguia segurar nada no estomago, nem mesmo água. No fim, fiquei prostrado na cama e me sentia como se estivesse à beira da morte. Sob a tortura daquela doença, já não pensava mais em que tipo de status eu teria no dia seguinte. Eu caí de joelhos e orei a Deus: “Ó, Deus! Essa doença que está sobre mim é Tua vontade benevolente e também Teu caráter justo. Eu não quero Te entender mal ou Te culpar. Eu só imploro mais uma vez que me ilumines que me permitas entender Tua vontade, para que eu possa compreender mais profundamente minha própria corrupção.” Depois de orar, meu coração ficou em paz. Naquele momento, essas palavras de Deus vieram de repente sobre mim: “A sua natureza insolente e arrogante os leva a trair sua própria consciência, a se rebelarem contra Cristo e a resistir a Ele e a revelar sua feiúra, assim expondo à luz as suas intenções, noções, desejos excessivos e olhos cheios de cobiça” (de ‘Você é um verdadeiro crente em Deus?’ em “A Palavra manifesta em carne”). Cada uma dessas palavras de Deus penetrou meu coração como uma espada e atingiram um ponto vital. Todo tipo de feiura e arrogância presentes em mim apareceram claramente em minha mente. Meu coração estava dolorido e eu estava imensamente envergonhado. Então, vi claramente que a causa da minha perda de consciência da sua função original foi minha própria natureza arrogante, que me impediu de obedecer e adorar a Deus honestamente. Isso fez com que eu sempre abrigasse a ambição e o desejo e quando tinha oportunidade, competia por status, buscava me exibir e reprimir os outros. Eu não conseguia ser simplesmente uma pessoa bem comportada. Estava claro que qualquer fruto do meu trabalho dependia da obra do Espírito Santo, era a bênção de Deus. Porém, eu roubava a glória de Deus, explorava oportunidades para me exaltar sem nenhuma vergonha, e gostava de ser admirado e adorado por meus irmãos e irmãs; eu me tornei tão arrogante que perdi o meu senso. Somente então percebi que a minha natureza arrogante era precisamente a raiz da minha resistência a Deus. Se eu não encontrasse a solução nunca alcançaria obediência a Deus ou a dedicação para cumprir meu dever.

Sob a orientação de Deus, mais uma vez pensei nas palavras Dele: “Quando se reconhece o que é a verdadeira naturezaquão feia, desprezível e lamentável —, então não se tem muito orgulho de si mesmo, não é tão descontroladamente arrogante e não está tão satisfeito consigo mesmo como antes. Tal pessoa sente: ‘Devo praticar algumas das palavras de Deus de maneira sincera e realista. Se não, então, não estarei à altura do padrão do ser humano e me envergonharei de viver na presença de Deus’. Ele, portanto, se vê de fato como um ser de pouco valor, verdadeiramente insignificante. Nesse momento, fica fácil para ele realizar a verdade, e ele parecerá ser um pouco como um humano deveria ser” (de ‘Conhecer-se é conhecer principalmente a natureza humana’ em “Registros das falas de Cristo”). As palavras de Deus me apontaram o caminho da prática e da entrada. E mostraram que, se quisesse me libertar completamente dos meus pensamentos de reputação e status, eu tinha que me esforçar para conhecer minha própria natureza. Quando pudesse ver, de verdade, quão vil e inútil eu era, conseguiria me tornar uma pessoa mais moderada e não ser mais tão arrogante. Então, eu poderia buscar a verdade com meus próprios pés firmes no chão. Na verdade, quando Deus aplicou Seu julgamento e castigo, o golpe e a disciplina foram para que eu tivesse um verdadeiro entendimento da minha própria essência, identidade inerente e status. Foi para que eu pudesse ter autoconhecimento diante de Deus e reconhecesse minha própria pobreza de espírito e insignificância. Foi para que eu soubesse que o que precisava era a verdade e a salvação de Deus, para que pudesse me prostrar diante d’Ele e me comportar corretamente. Foi para que eu pudesse cumprir meu dever de satisfazer a Deus e parar de buscar status, magoando Seu coração. Sob a orientação de Suas palavras, eu tinha um caminho à frente e também a confiança para buscar a verdade. Embora eu fosse profundamente corrompido por Satanás e minha natureza arrogante estivesse muito enraizada, se eu pudesse aceitar e obedecer aos julgamentos e castigos de Deus, Suas provações e refinamento, e através deles reconhecer minha própria natureza e essência, e buscasse a verdade incansavelmente, eu certamente conseguiria me libertar das amarras e do sofrimento da reputação e status, e entrar no caminho da salvação e do aperfeiçoamento. Depois que eu voltei para Deus, recuperei-me da doença em dois dias. Isso me fez ver mais ainda que Ele usou a enfermidade como uma maneira de me disciplinar. Não para me causar sofrimento intencional, nem como punição, mas para despertar meu coração dormente, para me fazer deixar de lado minhas buscas errôneas o mais rápido possível e andar no caminho certo da crença em Deus. Eu fiquei profundamente emocionado e reanimado pelo amor de Deus. Ofereci minha sincera gratidão e louvor a Deus.

Depois que me recuperei da doença, eu novamente me joguei na obra. Silenciosamente, decidi em meu coração que, quando encontrasse alguma coisa relacionada a reputação ou status, eu manteria um firme testemunho para Deus. Vários meses depois, eu soube que outra equipe evangélica estava obtendo bons resultados, experimentando atuações maravilhosas de Deus e tinha compartilhado algumas das experiências de sucesso e o caminho da prática. Porém, o trabalho que eu estava participando estava em declínio. Quando vi a decepção nas faces dos meus irmãos e irmãs, quando ouvi uma irmã dizer: “Hoje, nós desfrutamos da grande salvação de Deus, mas somos incapazes de dar testemunho da Sua obra. Na verdade, temos uma dívida com Deus”, e percebi que todos choravam sem parar, senti muita dor em meu coração. Eu não sabia como nos livrar daquela situação difícil e orava sem parar a Deus: “Ó, Deus! Somos todos fracos quando encaramos dificuldades práticas, mas eu sei que o que está acontecendo vem de Ti para provar nossa confiança, testar nossa devoção. Mas a minha estatura é pequena demais e eu não consigo carregar o peso. Eu Te imploro que me ilumines e me ajudes a entender a Tua vontade. Eu estou disposto a agir de acordo com a Tua orientação.” Depois de orar, um pensamento me ocorreu: eu devo pedir ao colega de trabalho para reunir conosco em comunhão, para que possamos extrair algumas das suas experiências e forças. Dessa maneira os irmãos e irmãs poderão desfrutar da iluminação e orientação do Espírito Santo e saberão como fazer o trabalho do evangelho. Eu sabia que essa ideia tinha vindo do Espírito Santo, mas ainda me sentia apreensivo em meu coração. Eu pensei: eu costumava ser muito mais capaz do que aquele irmão e, quando estávamos em reuniões, eu o menosprezava sempre, mas agora o desempenho dele era melhor do que o meu. Será que ele rirá de mim, quando me vir desesperado e envergonhado? Será que os irmãos e irmãs me desprezarão? Tenho que salvar minha aparência? Eu refletia e não conseguia parar de pensar em minha própria aparência e status, mas logo que pensei na vontade urgente de Deus de salvar a raça humana e que meus irmãos e irmãs não tinham a orientação nem a liderança do Espírito Santo, fui castigado em meu coração. Enquanto ainda estava vacilante, essas palavras de Deus me iluminaram: “O Espírito Santo não somente opera em certos homens que são usados por Deus, mas ainda mais na igreja. Ele poderia operar em qualquer um. Ele pode operar em você no presente, e quando você o tiver experimentado, Ele pode operar em outra pessoa em seguida. Apresse-se a seguir. Quanto mais de perto você seguir a luz atual, mais sua vida amadurecerá e crescerá. Não importa o tipo de homem que ele seja; desde que o Espírito Santo opere nele, certifique-se de seguir. Assimile as experiências dele por meio das suas próprias experiências e você receberá coisas ainda mais elevadas. Ao fazer isso, você avançará mais rápido. Essa é a senda da perfeição para o homem e o caminho pelo qual a vida cresce. A senda para tornar-se aperfeiçoado é alcançado por meio de sua obediência à obra do Espírito Santo. Você não sabe por meio de que tipo de pessoa Deus operará para aperfeiçoar você, nem por meio de que pessoa, ocorrência ou coisa Ele capacitará você para entrar na posse, para ganhar alguma percepção” (de ‘Aqueles que obedecem a Deus com um coração sincero certamente serão ganhos por Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). Subordinado à liderança das palavras de Deus, eu compreendi Sua vontade e adquiri o entendimento para liderar e aperfeiçoar as pessoas na obra do Espírito Santo. Eu me dei conta: a obra e a sabedoria de Deus são maravilhosas e misteriosas. Eu não sei que tipo de pessoa ou coisa Ele usará para me iluminar e guiar para entender Sua vontade, nem sei em que tipo de ambiente Ele lidará com meu caráter corrupto. Eu devo aprender a obedecer à obra do Espírito Santo, e não importa quão alto ou baixo seja o status de alguém, nem qual a sua idade, nem por quanto tempo acredita em Deus, contanto que sua comunhão esteja de acordo com a verdade e a vontade de Deus, poderá apontar o caminho prático que vem da obra e da iluminação do Espírito Santo. Eu devo aceitar obedecer e praticar, esse é o raciocínio humano que eu devo ter. Se eu não obedecer à obra do Espírito Santo, estarei disposto a permitir concessões no meu trabalho para manter minha própria vaidade. Eu estava disposto a permitir que meus irmãos e irmãs vivessem na escuridão para manter minha própria imagem e status. Por isso, eu sou um servo perverso e um anticristo! Quando me dei conta disso, não pude deixar de sentir medo e não ousava mais uma vez ser obstinado e contrario à iluminação e orientação do Espirito Santo. Eu estava disposto a renunciar à minha própria natureza satânica e confortar o coração de Deus através de ações práticas. Então, eu chamei imediatamente o colega de trabalho e pedi que ele viesse conversar conosco. O que me envergonhou foi que depois que nos conhecemos em pessoa, ele não me desprezou nem riu de mim. Ele compartilhou em comunhão de maneira genuína sobre a maneira que eles trabalhavam juntos, enquanto o Espírito Santo trabalhava entre eles e como se apoiavam em Deus quando encontravam contratempos e fracassos, como viam Deus agir e assim por diante. Ao ver meu irmão descontraído e alegre e depois de ver que os irmãos e irmãs pareciam escutar com atenção e prazer, e notar os sorrisos em suas faces, aos poucos, senti uma dor aguda, como se meu coração estivesse partindo. Porém, dessa vez não era por amor próprio ou para satisfazer minha aparência ou status, mas porque fui repreendido pelo meu próprio coração e meu sentimento de dívida com Deus. Por isso, eu sinceramente tive a experiência de ver um bom líder arcar com sua responsabilidade e dever. Se a estrada onde eu andar não for o caminho certo, as vidas de muitas pessoas serão prejudicadas e arruinadas. Causarei sofrimento espiritual a muitos. Nessa situação, não sou eu o principal culpado de resistir a Deus? Quando a obra de Deus for completada, como prestarei contas a Ele? Naquele momento, finalmente detestei a mim mesmo do fundo do meu coração. Odiei a lembrança da forma como desempenhava meu dever e como não estava envolvido no meu trabalho de forma honesta e pensava apenas em buscar reputação e status, enquanto desfrutava das bênçãos do status. Eu não apenas interferi na entrada da vida dos meus irmãos e irmãs, como mais que isso, interferi no cumprimento da vontade de Deus. Eu também perdi com frequência o controle da obra do Espírito Santo e caí na escuridão. Eu vi que a busca pela reputação e status causou muito mais o mal do que o bem. Mas, ao mesmo tempo, em que experimentava culpa e arrependimento, também sentia uma ponta de alívio. Isso porque sob a liderança de Deus, eu finalmente tinha renunciado ao benefício pessoal para colocar em prática a verdade. Eu tinha feito alguma coisa benéfica para a obra, para meus irmãos e irmãs e para mim. Eu tinha envergonhado Satanás através de ações práticas e me levantei como testemunha de Deus.

Em minha experiência na obra de Deus e por causa da minha busca por reputação e status, eu tinha sofrido muitos retrocessos e fracassos. Eu tinha tomado muitos desvios e, por essa, razão foi necessário que lidassem comigo e me refinassem. Aos poucos, vi o status com muito menos importância e o que eu acreditava antes — que sem status não havia futuro e que ninguém me admiraria — tinha mudado. Já faz 15 anos que sigo a Deus. Todas as vezes que penso na obra d’Ele em minha vida, um sentimento doce vem sobre mim. Se não fosse pelos desígnios de Deus e como Ele lidou com os meus desejos de fama, ganho e status nos estágios primários da minha vida, como eu poderia estar disposto a renunciar à fé na qual eu estava vivendo por muitos anos e que tinha se tornado minha vida? Se não fosse pela salvação de Deus, que veio sobre mim em tempo, eu ainda estaria vivendo de acordo com os venenos de Satanás, desperdiçando minha vida por amor a um sonho que nunca poderia ser realizado. Se não fosse pelas repetidas revelações e refinamentos de Deus, eu ainda estaria seguindo em direção ao caminho errado e nunca teria me conscientizado da seriedade da minha própria vaidade e do quão poderoso é o meu desejo por status. Eu não teria me dado conta, especialmente, de como sou inimigo de Deus. Foi a obra extraordinária de Deus que me fez enxergar muito da essência e dos males da busca por fama, ganho e status. Ele permitiu que meus valores errôneos e perspectivas de vida passassem por uma mudança importante e me possibilitou entender que apenas na busca da verdade e no cumprimento do dever da criação está a verdadeira vida humana. E somente abrindo mão influência sombria de Satanás e vivendo baseado nas palavras de Deus, eu posso existir com significado e valor. O entendimento e as mudanças que possuo hoje são fruto do julgamento e castigo de Deus. Embora ao passar pelo julgamento e castigo de Deus eu tenha experimentado dor e refinamento, adquiri algum entendimento da obra prática Dele, de Sua essência bondosa, Seu caráter de justiça e santidade. Eu, hoje, consigo ver claramente, detestar e jogar fora os venenos de Satanás que me prejudicaram por tantos anos e posso ter uma vida verdadeiramente humana. Nenhum desses sofrimentos foi em vão. Foi a coisa mais valiosa e significante. De agora em diante, nesse caminho, estou disposto a aceitar mais o julgamento e o castigo, as provações e refinamentos que vêm de Deus para que todo meu caráter corrupto logo seja purificado e eu me torne uma pessoa que vive de acordo com a vontade Dele.

Nota de rodapé:

a. O texto original não contém a frase “desejo de”.

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