Despertando em meio ao sofrimento e dificuldade

20 de Outubro de 2019

— A verdadeira experiência de perseguição de um cristão de 17 anos de idade

Por Wang Tao, Província de Shandong

Eu sou um cristão na Igreja de Deus Todo-Poderoso. Eu fui o mais afortunado entre as crianças da mesma idade, porque segui meus pais ao aceitar a obra de Deus Todo-Poderoso dos últimos dias aos oito anos de idade. Embora eu fosse jovem naquela época, estava bastante feliz por acreditar em Deus e ler a Sua palavra. Através da leitura contínua da palavra de Deus e da comunhão os membros mais velhos da igreja, depois de vários anos, passei a entender um pouco da verdade. Em particular, quando vi meus irmãos e irmãs todos buscando a verdade e trabalhando para serem pessoas honestas e todos convivendo pacificamente, senti que esses eram os momentos mais felizes e alegres. Mais tarde, ouvi em um sermão: “Na China continental, acreditar em Deus, buscar a verdade e seguir Deus é realmente colocar sua vida em risco. Isso não é exagero algum” (“Sermões e comunhão sobre a entrada na vida”). Na época, não entendi o que isso significava, mas, por meio da comunhão de meus irmãos e irmãs, aprendi que aqueles que acreditam em Deus são presos pela polícia e que, porque a China é um país ateu, não há liberdade de crença religiosa. No entanto, na época, eu não acreditei nessas palavras. Achava que, por ser criança, mesmo se fosse preso, a polícia não faria nada comigo. Isso mudou no dia em que sofri aprisionamento e crueldade pessoalmente nas mãos da polícia; finalmente, vi com clareza que a polícia, que eu havia admirado como se fossem tios, era na verdade um bando de demônios cruéis!

Quando eu tinha 17 anos, na noite de 5 de março de 2009, um irmão mais velho e eu estávamos a caminho de casa após pregar o evangelho quando nosso caminho foi repentinamente bloqueado por um veículo da polícia. Cinco policiais saltaram imediatamente do carro e, sem qualquer aviso, levaram nossa scooter elétrica como bandidos, nos empurraram para o chão e nos algemaram à força. Fiquei atordoado com a forma repentina do que acabara de acontecer. Sempre ouvira meus irmãos falarem sobre como aqueles que acreditam em Deus eram presos, mas nunca imaginei que isso realmente aconteceria comigo naquele dia. Fui tomado de pânico; meu coração batia tão forte que parecia que saltaria do meu peito. Clamei continuamente a Deus em meu coração: “Deus Todo-Poderoso! A polícia me prendeu e estou com muito medo. Não sei o que devo fazer ou o que eles planejam fazer comigo, por isso imploro que Tu protejas meu coração”. Eu me senti bem mais calmo depois de orar. Pensava que a polícia não faria nada com uma criança como eu, então não fiquei muito nervoso. Mas a situação não era tão simples como eu esperava. Quando a polícia encontrou livros sobre crença em Deus conosco, ela usou isso como justificativa para nos levar à delegacia.

Era o início da primavera no norte da China, e o clima ainda estava muito frio, caindo a 3-4 graus centígrados negativos à noite. O chefe da delegacia tirou nossos casacos, sapatos e até nossos cintos à força, e nossas mãos foram algemadas firmemente atrás de nossas costas. Foi muito doloroso. Ele ordenou que vários policiais nos segurassem no chão e, depois, nossos rostos e cabeças foram chicoteados violentamente com tiras de couro, o que imediatamente me deu uma dor de rachar na cabeça — parecia que eu estava prestes a explodir e lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto sem querer. Fiquei furioso naquele momento, porque o slogan “Seja civilizado ao lidar com casos” estava escrito claramente na parede, mas eles estavam nos tratando como ladrões de estrada selvagens ou assassinos! Não era nada civilizado! Com raiva, exigi saber: “Que crime cometemos? Por que estão nos prendendo e nos espancando?” Enquanto ele continuava a me chicotear, um desses policiais malignos disse maliciosamente: “Seu pequeno bastardo, não fale comigo nesse tom! Estamos aqui para pegar crentes em Deus Todo-Poderoso! Você é um jovem que poderia ter feito qualquer coisa, por que isso? Quem é seu líder? Onde você conseguiu esses livros? Responda! Se não responder, eu espanco você até a morte!” Então percebi que meu irmão mais velho estava cerrando os dentes e se recusando a falar uma só palavra, então fiz um juramento a mim mesmo: “Eu também me recuso a ser um Judas! Mesmo que me espanquem até a morte, eu não vou falar! Minha vida está nas mãos de Deus, e Satanás e diabos não têm poder sobre mim”. Quando ele viu que nenhum de nós falava, o chefe da delegacia ficou furioso e berrou, apontando para nós: “Tudo bem então! Vocês querem jogar duro? Não vão falar? Deem uma boa surra neles! Mostrem a eles de verdade o que está acontecendo e deem a eles um gostinho do que é ser duro!” Aqueles policiais malignos nos atacaram instantaneamente, agarrando-nos pelos queixos enquanto nos batiam violentamente no rosto com tanta força que vi estrelas e meu rosto queimava com uma dor ardente. Eu havia sido mimado e cuidado pelos meus pais desde a infância; eu nunca havia experimentado tanta violência. Fui tão humilhado que não consegui segurar as lágrimas e pensei: “Esses policiais são tão cruéis e irracionais! Na escola, nossos professores sempre nos diziam para ir à polícia se tivéssemos problemas. Eles diziam que a polícia ‘servia o povo’ e que eram ‘heróis que protegiam as pessoas boas da violência’, mas agora, só porque acreditamos em Deus Todo-Poderoso e caminhamos pela senda correta na vida, eles nos prendem arbitrariamente e nos batem impiedosamente. Como ela poderia ser a ‘Polícia do Povo’? Eles não passam de um bando de demônios! Não é de admirar que um sermão afirma: ‘Alguns dizem que o grande dragão vermelho é um espírito maligno, alguns dizem que é um bando de malfeitores, mas qual é a natureza e a essência do grande dragão vermelho? A de um demônio maligno. Eles são um bando de demônios malignos que resistem e atacam a Deus! Essas pessoas são uma manifestação física de Satanás, Satanás feito carne, a encarnação de demônios malignos! Aquelas pessoas não são senão Satanás e os demônios malignos’ (“Sermões e comunhão sobre a entrada na vida”). No passado, fui enganado por suas mentiras, acreditando que a polícia era ‘gente boa’ que trabalhava em nome de pessoas comuns. Não percebi que aquela era uma imagem falsa, mas hoje finalmente vejo que eles realmente são um bando de demônios malignos que resistem a Deus!” Não pude evitar de começar a odiá-los do fundo do meu coração. Quando o chefe da delegacia viu que ainda não estávamos falando, ele gritou: “Deem-lhes outra boa surra!” Dois de seus lacaios correram até nós. Eles ordenaram que sentássemos no chão com as pernas estendidas e depois chutaram nossas pernas violentamente com seus sapatos de couro, ficaram em pé em nossas pernas e pisaram o mais forte que puderam. Minhas pernas doíam tanto que parecia que estavam prestes a quebrar, e eu não conseguia parar de gritar, mas quanto mais eu gritava, mais cruelmente eles me batiam. Eu não tive escolha a não ser suportar a dor enquanto clamava a Deus Todo-Poderoso em meu coração: “Deus! Esses demônios são cruéis demais! Eu realmente não consigo suportar isso. Por favor, dá-me fé e me protege para eu não trair a Ti”. Exatamente naquele momento, essa passagem das palavras de Deus passou pela minha mente rapidamente: “Você deve saber que todas as coisas no ambiente que o cerca existem por permissão Minha, Eu arranjo tudo isso. Veja claramente e satisfaça ao Meu coração no ambiente que Eu dei a você. Não tema, Deus Todo-Poderoso das hostes certamente estará com você. Ele os defende e Ele é o escudo de vocês” (de ‘Capítulo 26’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus foram uma fonte de grande fé e força para mim. Entendi que as circunstâncias que eu estava experimentando estavam acontecendo com a aprovação do trono de Deus, e que esse era o momento em que eu era obrigado a permanecer firme e testemunhar a Deus. Embora fosse jovem, eu tinha Deus como meu forte apoio, então eu não tinha nada a temer! Eu estava determinado a permanecer firme e testemunhar a Deus. De jeito nenhum eu seria covarde e me submeteria a Satanás! Por meio da instrução e orientação da palavra de Deus, encontrei a confiança e a determinação para suportar o sofrimento, permanecer firme e testemunhar a Deus.

Naquela noite, depois das 19 horas, o chefe da delegacia veio me interrogar novamente. Ele ordenou que eu me sentasse no chão de cimento gelado, numa tentativa deliberada de me congelar. Somente depois de eu ficar com tanto frio que minhas pernas ficaram dormentes e meu corpo inteiro tremer, ele ordenou que seus lacaios me pegassem e me encostassem na parede, após o que ele impiedosamente deu choques nas minhas mãos e queixo com um bastão elétrico. Os choques cobriram minhas mãos de bolhas e fizeram todos os meus dentes entorpecerem de dor (ainda hoje meus dentes doem quando mastigo). Mas, mesmo assim, esse diabo, ainda frenético de raiva, não estava satisfeito; ele passou a usar seu bastão elétrico na minha virilha. A tormenta me deixou com uma dor indescritível, mas ele jogou sua cabeça para trás e riu. Naquele momento, eu odiava esse demônio, completamente carente de humanidade, no meu âmago. Mas por mais que aquele policial maligno me interrogasse ou torturasse, cerrei os dentes e me recusei a dizer uma palavra. Ele continuou até duas ou três da manhã, quando todo o meu corpo estava entorpecido — eu não tinha sensação alguma em lugar algum. Finalmente, depois que se cansaram de me bater, me arrastaram de volta para uma pequena sala e me algemaram ao irmão mais velho que havia sido preso junto comigo. Eles nos mandaram sentar no chão gelado, e então dois deles foram designados para nos vigiar para garantir que não dormiríamos. No momento em que um de nós fechava os olhos, eles nos batiam e chutavam. Mais tarde naquela noite, eu precisava ir ao banheiro, mas esses policiais malignos berraram para mim: “Seu merdinha, a não ser que você nos diga o que queremos saber, você não vai a lugar nenhum! Você pode fazer xixi nas calças!” No final, eu realmente não aguentei mais e tive que me aliviar nas calças. Naquele tempo frio, minhas calças acolchoadas ficaram encharcadas de urina, deixando-me tão gelado que eu não conseguia parar de tremer.

Depois de suportar uma tortura tão cruel por esses demônios, senti uma dor insuportável em todos os lugares, e não pude deixar de começar a me sentir fraco e negativo: “Realmente não sei que torturas eles usarão em mim amanhã. Eu conseguirei aguentar?” Mas, naquele momento, o irmão mais velho, preocupado que eu não seria capaz de suportar o sofrimento e por eu estar me sentindo negativo, sussurrou para mim com preocupação: “Tao, como você está se sentindo a respeito daqueles demônios malignos nos torturando desse jeito hoje? Você se arrepende de crer em Deus Todo-Poderoso e de cumprir seu dever?” Eu disse: “Não, só me sinto humilhado por ter sido espancado por esses demônios. Eu pensei que eles não fariam nada comigo porque sou apenas uma criança. Eu não tinha ideia de que eles realmente estariam dispostos a me matar”. Meu irmão mais velho comungou com seriedade: “Nós seguimos a senda da crença em Deus e seguimos a senda correta na vida graças à orientação de Deus, mas Satanás não quer que sigamos a Deus nem que sejamos totalmente salvos. Não importa o que aconteça, precisamos permanecer firmes em nossa fé. Nunca devemos nos submeter a Satanás; não podemos partir o coração de Deus”. Essas palavras do irmão foram muito animadoras. Eu me senti consolado e não pude deixar de pensar nas palavras de Deus, “O que é um vencedor? Os bons soldados de Cristo devem ser corajosos e confiar em Mim para ser espiritualmente fortes; eles devem lutar para se tornar guerreiros e batalhar contra Satanás até a morte” (de ‘Capítulo 12’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). Naquele momento, entendi a vontade de Deus e senti força dentro do meu coração. Não me sentia mais humilhado ou infeliz, mas estava disposto a enfrentar essa provação com coragem. Não importava como Satanás, o diabo, me torturasse, eu confiaria em Deus para vencer Satanás; eu mostraria a Satanás que todos os que creem em Deus Todo-Poderoso são Seus soldados de elite, guerreiros inquebráveis até o fim.

Na manhã seguinte, aqueles policiais malignos me trouxeram de volta para a sala de interrogatório, e aquele demônio de um chefe de delegacia mais uma vez tentou arrancar uma confissão de mim. Ele bateu na mesa ao apontar direto para meu nariz e me xingou, dizendo: “Você reconsiderou noite passada, garoto? Há quanto tempo você acredita em Deus Todo-Poderoso? Para quantas pessoas você pregou? Responda às nossas perguntas, ou você sentirá muito mais dor!” Eu pensei: “Não posso mais ter medo de Satanás. Preciso ser homem e ter coragem!” Então, eu disse resolutamente: “Eu não sei de nada!” O maligno chefe da delegacia ficou furioso e gritou: “Garoto, você quer morrer? Porque eu vou te matar antes de terminarmos, daí você realmente vai se calar!” Ao gritar isso, ele correu em minha direção, agarrou cruelmente meu cabelo e bateu minha cabeça contra a parede. Meus ouvidos começaram a zumbir imediatamente, e a dor era tão intensa que eu não pude evitar de gritar, e lágrimas rolaram pelo meu rosto. Finalmente, depois que aqueles diabos perceberam que não conseguiriam o que queriam de mim, não tiveram escolha a não ser me enviar de volta à salinha. Então levaram o irmão mais velho para ser interrogado. Em pouco tempo, ouvi-o gritar de dor e sabia que eles haviam feito algo horrível com ele. Eu estava encolhido na salinha como um cordeiro cercado por lobos cruéis, de coração partido e desamparado, e, enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, orei a Deus para pedir a Ele que protegesse esse irmão daqueles diabos malignos enquanto tentavam forçá-lo a confessar através de tortura. Eles nos interrogaram desse jeito por três dias e noites, não nos dando uma só mordida de comida ou uma gota de água sequer. Eu estava com frio e com fome, estava atordoado e minha cabeça estava inchada e incrivelmente dolorida. Temerosos de que nos matariam, eles não tiveram escolha senão parar a tortura.

Após a tortura brutal e desumana pelo governo do Partido Comunista Chinês (PCC), eu genuinamente experimentei daquilo que havia ouvido falar em um sermão: “Nas prisões do grande dragão vermelho, não importa se você é homem ou mulher, eles podem abusar de você como quiserem. Eles são patifes e bestas. Eles abusam de pessoas caprichosamente com bastões elétricos e fazem com você aquilo que você mais teme. Sob o domínio do grande dragão vermelho, as pessoas deixam de ser humanas e são ainda menos que animais. O grande dragão vermelho é exatamente tão cruel e desumano assim. Eles são bestas, diabos, completamente desprovidos de razão. Não há como dialogar com eles, pois eles não têm razão” (“Sermões e comunhão sobre a entrada na vida”). Naquele momento, finalmente vi com clareza a essência reacionária do governo do PCC como inimigo de Deus. É realmente uma manifestação de Satanás, um demônio que mata sem pestanejar! Eles não têm moral ou escrúpulos, não poupando nem a mim, uma criança menor de idade. Eles estão mais do que prontos para me matar apenas porque acredito em Deus e trilho a senda correta na vida. Eles não são nada além de monstros cruéis, sem princípios, ética ou humanidade. Eu não mais alimentava falsas esperanças de que a polícia me trataria com misericórdia por causa da minha idade; apenas implorei que Deus Todo-Poderoso me protegesse e me levasse a vencer a cruel tortura de Satanás e dos demônios, que eu pudesse suportar todo o sofrimento e que eu pudesse ser uma testemunha retumbante de Deus.

Na tarde de 9 de março, quando os policiais malignos perceberam que realmente não arrancariam nada de nós, eles agarraram nossas mãos fisicamente e nos forçaram a assinar confissões forjadas, acusando-nos dos crimes de “prejudicar a lei nacional, perturbar a ordem social e subverter o poder do estado”, e depois nos mandaram para a casa de detenção. Assim que chegamos, eles rasparam nossas cabeças e nos deixaram completamente carecas, tiraram nossas roupas e depois as devolveram após cortá-las praticamente em tiras. Eu não tinha mais meu cinto, então fui obrigado a amarrar sacos de plástico em forma de corda para segurar minhas calças no lugar. Mesmo naquele clima gelado, a polícia ordenou que outros detentos nos banhassem, despejando bacia após bacia de água fria em nossa cabeça. Eu fiquei congelado a ponto de tremer da cabeça aos pés, e meu sangue parecia ter solidificado em minhas veias. Eu não aguentava nem ficar em pé depois daquilo. Os prisioneiros mantidos naquela prisão eram todos estupradores, ladrões, assaltantes e assassinos… Cada um parecia mais malicioso que o outro, e a ideia de estar preso naquele lugar infernal com eles me fazia tremer de medo. À noite, mais de 30 de nós dormíamos juntos em uma plataforma de concreto duro, e os cobertores fediam com um odor vil que praticamente impossibilitava o sono. As refeições que nos eram dadas por aqueles policiais malignos não passavam de um pequeno pão cozido no vapor e um pouco de mingau de milho ralo, longe de nos alimentar o suficiente e, durante o dia, éramos sobrecarregados de trabalho físico exaustivo. Se não terminássemos nossas tarefas do dia, eles nos puniam e nos faziam ficar em pé a noite toda no turno de vigilância noturno, o que significava que tínhamos que ficar em pé por quatro horas e dormir apenas duas horas. Às vezes, eu estava tão cansado que adormecia em pé. Esses policiais malignos também disseram ao prisioneiro-chefe da cela para encontrar maneiras de me atormentar, como me sobrecarregar com minha cota ou me fazer ficar de vigia durante a noite. Senti como se estivesse prestes a entrar em colapso. Fui atormentado e abusado por aqueles demônios tantas vezes, parecia que eu tinha menos liberdade do que um cachorro vadio na rua, e eu nem comia tão bem como um porco ou um cachorro. Ao pensar nessas coisas, tive muita saudade de minha casa e de meus pais e senti que a casa de detenção não era lugar para as pessoas viverem. Eu não queria ficar lá por mais nenhum momento. Eu não queria nada além de sair aquele lugar horrível imediatamente. No auge da minha miséria e fraqueza, eu só podia orar a Deus com sinceridade, e foi aí que as palavras de Deus Todo-Poderoso me iluminaram e deram orientação: “Não fique desanimado, não seja fraco; Eu revelarei a você. A estrada para o reino não é tão fácil, nada é tão simples! Vocês querem que as bênçãos venham facilmente, certo? Hoje, todos terão de enfrentar provas amargas, caso contrário seu coração amoroso por Mim não se tornará mais forte […] Aqueles que compartilham do Meu amargor certamente desfrutarão da Minha doçura. Essa é a Minha promessa e a Minha bênção para vocês” (de ‘Capítulo 41’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus foram uma grande fonte de consolo e encorajamento. Elas me ajudaram a entender que o sofrimento e as dificuldades que eu estava enfrentando eram uma bênção de Deus. Deus estava usando essas circunstâncias difíceis para me refinar e aperfeiçoar e para me tornar alguém cujo amor e lealdade a Deus são dignos da promessa de Deus. Ao pensar em como eu havia sido mimado desde a infância e nunca havia sido capaz de suportar sofrimento ou mesmo o menor insulto, vi que, se eu quisesse ganhar a verdade e a vida, precisava ter a determinação de suportar sofrimento e precisava de fé resoluta. Sem experimentar desse sofrimento, a corrupção dentro de mim nunca poderia ser purificada. Meu sofrimento era realmente uma bênção de Deus e, portanto, devia ter fé, cooperar com Deus e permitir que Deus trabalhasse a Sua verdade em mim. Uma vez que entendi a vontade de Deus, uma oração a Deus surgiu espontaneamente dentro de mim: “Deus! Não me sinto mais fraco e negativo. Permanecerei forte, confio resolutamente em Ti, lutarei com Satanás até o fim, e procurarei amar-Te e satisfazer-Te. Peço que me dês fé e fortaleza”. Nos dias em que sofria abuso e humilhação na casa de detenção, eu orava e confiava em Deus mais do que em qualquer momento desde que eu ganhei minha fé em Deus Todo-Poderoso, e foi o mais próximo que eu já estive de Deus. Durante esse tempo, meu coração não deixou Deus nem por um momento, e eu sempre O senti comigo. Por mais que eu sofresse, não me sinto nem um pouco sofrido, e entendi claramente que tudo isso era Deus cuidando de mim e me protegendo.

Certa manhã, um mês depois, os guardas da prisão de repente chamaram a mim e ao irmão mais velho. Senti uma onda de empolgação quando ouvi a chamada, pensando que eles poderiam estar nos libertando e que eu não precisaria mais sofrer naquele inferno. A verdade não poderia estar mais distante das minhas esperanças. O chefe da delegacia nos recebeu com um sorriso sinistro e julgamentos escritos, dizendo: “Vocês dois foram condenados a um ano de reeducação através de trabalho por crerem em Deus Todo-Poderoso. Mesmo que vocês não falem, podemos sentenciá-los ainda assim. O Partido Comunista governa esta nação, e nem mesmo uma ação judicial os levará a algum lugar!” Ver o quão feliz ele estava com o nosso infortúnio me deixou furioso: o governo do PCC não segue lei ou ética alguma e, além de torturar cruelmente uma criança menor de idade como eu, estava me condenando por crime nenhum! O outro irmão e eu fomos levados para o campo de trabalho da província naquele dia. Durante nosso exame de saúde, o médico descobriu que o irmão sofria de pressão alta, de problemas cardíacos e outros problemas de saúde. Os guardas do campo de trabalho temiam ser responsabilizados se ele morresse em suas instalações, então eles se recusaram a aceitá-lo; a polícia não teve escolha senão levá-lo de volta, o que significava que fui deixado lá sozinho. Então comecei a chorar — chorei amargamente. Sentia falta de minha casa e de meus pais, e, considerando-se que fiquei sem meu irmão para me comunicar, como conseguiria sobreviver por um ano tão longo? No mês anterior de ser atormentado e brutalizado por aqueles diabos, sempre que me sentia negativo e fraco por não suportar sua crueldade, ele se comungava comigo a palavra de Deus para me encorajar e confortar, ajudando-me a ganhar força através da compreensão da vontade de Deus. Além disso, ver sua determinação me dava fé e força para lutar e vencer esses demônios ao lado dele. Mas, naquele momento, fui deixado para lutar aquela batalha sozinho. Eu realmente conseguiria permanecer forte? Quanto mais eu pensava, mais miserável me sentia, e mais negatividade, solidão, amargura e humilhação se enraizavam em meu coração. Quando minha miséria me levou à beira da desesperança, clamei urgentemente a Deus: “Deus! Minha estatura é muito pequena. Como conseguirei suportar uma provação tão imensa? Como conseguirei passar por esse longo ano de reeducação através do trabalho? Deus! Imploro que me guies e me ajudes, me dês fé e força…” Lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto eu chorava em silêncio. Ao orar, de repente me lembrei da experiência de José de ser vendido ao Egito aos dezessete anos de idade. Embora ele estivesse sozinho no Egito e passasse por humilhação e sofrimento, nunca abandonou o Deus verdadeiro nem se rendeu a Satanás. Embora eu estivesse sendo obrigado pelos demônios a sofrer na prisão, isso estava acontecendo com a permissão de Deus, e, contanto que eu realmente confiasse em Deus e me recusasse a ceder a Satanás, Deus também me levaria a vencer Satanás e a sair do covil dos demônios. Naquele momento, mais uma vez, lembrei as palavras de Deus: “Não menospreze a si mesmo por ser jovem; ofereça-se a Mim. Não olho para a aparência das pessoas ou quantos anos têm. Eu vejo apenas se elas Me amam sinceramente ou se seguem Meu caminho e praticam a verdade, desconsiderando todas as outras coisas. Não se preocupe com o amanhã ou como será o futuro. Enquanto você confiar em Mim para viver cada dia, então Eu certamente o guiarei” (de ‘Capítulo 28’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus aqueceram meu coração como o sol do verão. Elas me permitiram ver que Deus não favorece ninguém, e mesmo eu sendo jovem, desde que eu tivesse um coração de amor sincero por Deus e pudesse viver pela palavra de Deus, eu sempre receberia a orientação de Deus. Pensei em como, desde o momento da minha prisão, Deus esteve comigo a todo momento, me ajudando a superar todas as dificuldades e possibilitando que eu me mantivesse forte. Sem a presença e orientação de Deus, como eu poderia suportar as surras cruéis e o tormento brutal daqueles demônios? Eu havia sobrevivido a tanta dificuldade confiando em Deus e estava enfrentando um ano de reeducação pelo trabalho, então por que me faltava fé? Deus não era tudo em que eu precisava confiar? Deus estava comigo e me daria orientação a todo momento; então, por que eu deveria me sentir sozinho ou com medo? Essas circunstâncias foram uma oportunidade para eu praticar a vida de forma independente e amadurecer na vida. Eu não podia mais me ver como uma criança, nem poderia sempre confiar em outras pessoas enquanto não olhava para Deus. Eu deveria crescer, confiar em Deus para seguir minha própria senda e confiar que certamente seria capaz de continuar por essa senda, apoiando-me em Deus. Satanás nunca é capaz de derrotar pessoas que têm a determinação de confiar em Deus e de amá-Lo! Estava na hora de eu ter a coragem de um homem e permitir que Deus ganhasse glória por meio de minhas ações. Depois de entender a vontade de Deus, senti como se houvesse uma força poderosa me apoiando e, no fundo do meu coração, tomei a decisão de enfrentar minha vida na prisão.

Quando os guardas no campo de trabalho ficaram sabendo que eu acreditava em Deus Todo-Poderoso, passaram a me atormentar de forma deliberada. Eles me designaram para trabalho físico pesado, carregando sacos pesados de mais de 50 kg do terceiro andar ao primeiro, das cinco da manhã às onze da noite e, se eu não terminasse minha cota de trabalho, era obrigado a trabalhar horas extras até altas horas da noite. Eu nunca havia feito trabalho físico antes e nunca conseguia comer até ficar satisfeito na casa de detenção, por isso estava sempre exausto. No começo, eu não conseguia erguer os sacos, mas, depois, confiando em Deus com sinceridade, gradativamente passei a conseguir levantá-los. O trabalho pesado me deixava indescritivelmente exausto todos os dias e deixava meu quadril e pernas doloridos. Os guardas costumavam ordenar que os outros detentos me espancassem cruelmente, frequentemente me deixando coberto de lesões e contusões. Certa vez, os guardas ordenaram que o prisioneiro-chefe me espancasse porque me atrasei na volta de buscar água. Durante o espancamento, meu tímpano foi perfurado e rompeu, ficou infeccionado, quase me deixando surdo. Cerrei os dentes com ressentimento por ter que suportar esse tipo de perseguição e abuso, mas não tinha como resistir. Eu estava infeliz e tinha queixas, mas não tinha onde procurar reparação. Eu só podia vir diante de Deus e compartilhar com Ele minha miséria em oração. Naquela prisão sombria, aprendi a estar perto de Deus, a confiar e olhar para Deus em todas as coisas — o que me trazia a maior alegria na vida era orar a Deus para compartilhar meus pensamentos mais íntimos. Toda vez que me sentia triste ou fraco, o hino que mais gostava de cantar era “Estou determinado a amar a Deus”: “Ó Deus! Eu tenho visto que Tua justiça e santidade são tão amáveis. Resolvo buscar a verdade e estou determinado a amar-Te. Desejo que abras os olhos do meu espírito, desejo que o Teu Espírito toque meu coração, de modo que, perante a Ti, eu seja despojado de todos os estados passivos e desconstrangido por qualquer pessoa, questão ou coisa; desnudo meu coração completamente diante de Ti, de tal modo que todo o meu ser seja devotado perante a Ti, e que Tu possas testar-me de qualquer modo que desejares. Agora, não penso em minhas perspectivas, nem sou contido pela morte. Usando meu coração, que ama a Ti, desejo buscar o caminho da vida. Todas as coisas e eventos estão em Tuas mãos, meu destino está em Tuas mãos e, além do mais, minha vida é controlada por Tuas mãos. Agora, eu busco amá-Lo e, independentemente de me deixares amar a Ti, independentemente de como Satanás interfira, estou determinado a amar a Ti” (de “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Cantando e cantando, eu me comovia às lágrimas, e isso trazia imenso consolo e encorajamento ao meu coração. Deus Todo-Poderoso sempre me ajudou e me apoiou, permitindo que eu genuinamente experimentasse o verdadeiro amor de Deus por mim. Como uma mãe misericordiosa, Deus ficou de vigia ao meu lado, me confortando e me apoiando o tempo todo, me dando fé e força e me guiando naquele ano que nunca conseguirei esquecer.

Depois de experimentar a escuridão do meu tempo na prisão, fiquei muito mais maduro na vida e também adquiri muito conhecimento da verdade. Eu não era mais uma criança ingênua e inocente. Foram as palavras de Deus Todo-Poderoso que me guiaram a superar a tortura e o tormento da polícia maligna repetidas vezes, e uma e outra vez me permitiu emergir da fraqueza e da negatividade, levantar-me e permanecer forte. Isso me permitiu entender como ser atencioso e confortar o coração de Deus, bem como confiar em Deus e permanecer firme, e como testemunhar por Deus para retribuir o Seu amor. Também me permitiu ver claramente a brutalidade e crueldade de Satanás e dos demônios, bem como sua essência reacionária maligna como inimigos de Deus. Isso me deu discernimento a respeito da falsa imagem da “Polícia do Povo que ama as pessoas”. Nunca mais fui enganado pelas mentiras de Satanás. A perseguição e o sofrimento que sofri não só não conseguiram me quebrar, mas também se tornaram o fundamento no qual trilho a senda da fé. Sou grato a Deus Todo-Poderoso por me guiar por essa árdua senda pedregosa e por me permitir aprender a suportar as tormentas cruéis em uma idade tão precoce. Através disso, vi a onipotência e soberania de Deus e que essa era a salvação especial de Deus para mim! Senti profundamente que, em um mundo maligno governado por demônios, somente Deus pode salvar as pessoas, somente Deus pode ser nosso apoio e nos ajudar sempre que precisamos Dele, e somente Deus realmente ama as pessoas. A perseguição e as dificuldades que sofri se tornaram um tesouro valioso de crescimento na vida para mim e foram muito benéficas para a minha plena salvação. Embora eu tenha sofrido durante esse período, esse sofrimento foi incrivelmente valioso e significativo. É exatamente como diz a palavra de Deus: “Se você está disposto a estar nessa corrente e desfrutar esse julgamento e essa imensa salvação, aprecie toda essa bênção que não pode ser encontrada em lugar nenhum do mundo humano, e aprecie esse amor, então permaneça nessa corrente de maneira submissa para aceitar a obra de conquista para que você possa ser aperfeiçoado. Apesar de agora estar sofrendo certa dor e refinamento por causa do julgamento, essa dor é valiosa e significativa” (de ‘A verdade interna da obra de conquista (4)’ em “A Palavra manifesta em carne”).

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