Uma batalha contra a lavagem cerebral

02 de Fevereiro de 2021

Por Zhao Liang, China

Aos dezenove anos, fui preso pela polícia do PC Chinês por causa da minha fé. Fui submetido a sessenta dias de tortura e lavagem cerebral para me obrigar a negar a Deus e entregar meus irmãos e irmãs. Essa experiência ficou gravada em meu coração. Nunca me esquecerei.

A caminho de uma reunião, naquela manhã, percebi três carros estacionados por perto quando estava chegando. Fiquei um pouco apreensivo. Normalmente, não havia muitos carros ali. Assim que cheguei, contei aos irmãos e irmãs, e percebemos que nossa reunião não era mais segura. Falamos sobre mudar de local de encontro. Não demorou, e quatro estranhos entraram no pátio, dizendo que eram da Brigada de Segurança Nacional e estavam procurando explosivos escondidos na casa. Mantiveram-nos no sofá à força e nos revistaram, e, quando não encontraram nada, me colocaram juntamente com outro irmão num dos carros. Levaram-nos para a delegacia, onde a polícia nos levou para o porão e nos trancou, separados. Essa prisão súbita parecia mais algo saído de um sonho, e eu não fazia ideia de como a polícia me trataria. Eu estava com um pouco de medo e orava a Deus sem cessar, pedindo que Ele me desse fé. Lembrei-me de vários versos de um hino das palavras de Deus que cantávamos muito: “A transcendência e a grandeza do Todo-Poderoso”. “Tudo deste mundo muda rapidamente com os pensamentos do Todo-Poderoso e embaixo de Seus olhos. Coisas de que a humanidade nunca ouviu falar chegam de repente, enquanto coisas que a humanidade possui há muito tempo escapam sem querer. Ninguém pode compreender o paradeiro do Todo-Poderoso, muito menos consegue perceber a transcendência e a grandeza da força vital do Todo-Poderoso” (“Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Fiz esta oração a Deus: “Deus Todo-Poderoso, eu Te agradeço e Te louvo! Tu governas sobre tudo no universo, e meu destino está em Tuas mãos. Permitiste que a polícia me prendesse hoje. Não importa como me torturem ou quanto eu sofra, quero dar testemunho, jamais trair-Te nem me tornar um judas”.

Às quatro da tarde, a polícia me levou para um complexo afastado, com uma fila de prédios de quatro andares no pátio, que parecia um hotel. Muitos irmãos e irmãs tinham dito que a polícia enviava os detidos para hotéis para interrogatório e tortura secretos. Eu não podia parar de imaginar se estavam prestes a me torturar também. Era um lugar um tanto desolado. Eles podiam me matar, e ninguém ficaria sabendo. Meu medo aumentou quando pensei nisso e, em silêncio, clamei a Deus sem cessar. Eles me levaram para uma sala no quarto andar, e, fingindo bondade, o chefe da Brigada da Polícia Criminal disse: “Qual é seu nome? Onde mora?”. Eu perguntei: “Por que me prenderam? Por que me trouxeram aqui?”. Ele disse: “Isto é um curso de educação jurídica, para educar e converter crentes. Pegamos você porque sabemos tudo sobre você. Caso contrário, prenderíamos outra pessoa. A Igreja de Deus Todo-Poderoso é um alvo nacional importante; deve ser extinta. Os crentes em Deus Todo-Poderoso estão fadados a ser presos”. “A liberdade de crença não está na constituição?”, perguntei. Com malícia, ele disse: “Liberdade de crença? Isso tem limite. Em sua fé, você deve ouvir o Partido e seguir as regras dele para ter nosso apoio. Ao crer em Deus Todo-Poderoso, você se coloca contra o Partido. Como poderíamos não prender você?”. Retruquei: “Só lemos as palavras de Deus Todo-Poderoso e compartilhamos o evangelho para dar testemunho de Deus. Jamais nos envolvemos em política. Como pode dizer que nos colocamos contra o Partido? Deus Todo-Poderoso diz: ‘Deus não participa da política do homem, ainda assim, o destino de um país ou nação é controlado por Ele. Deus controla este mundo e todo o universo. O destino do homem e o plano de Deus estão intimamente relacionados, e nenhum homem, país ou nação está isento da soberania de Deus. Se o homem deseja conhecer seu destino, então deve se apresentar diante de Deus, que fará prosperar aqueles que O seguem e adoram, assim como trará declínio e extinção sobre aqueles que resistem a Ele e O rejeitam’ (‘Deus preside o destino de toda a humanidade’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus são muito claras. Ele governa o universo e tem em Suas mãos o destino de todos os povos e nações, mas Deus não interfere em política. Deus encarnado veio para a terra, nos últimos dias, para expressar a verdade e fazer a obra de julgamento, para que as pessoas entendam a verdade, se livrem de seu caráter satânico corrupto e sejam salvas”. Impaciente, o oficial me interrompeu e disse muita coisa, blasfemando a Igreja de Deus Todo-Poderoso. Aconselhou-me a desistir da minha fé. Apesar do que ele dizia, eu permaneci calmo, diante de Deus, pedindo que Ele me protegesse dos truques de Satanás.

Por volta do meio-dia, no terceiro dia, me chamaram de volta para a sala de reunião. Um policial apresentou-se, dizendo que era o capitão da Brigada de Segurança Nacional, e que também trabalhava com educação e conversão. Pediu meu nome, endereço e informações da igreja. Eu me recusei a falar, então ele ordenou que eu colocasse minha mão esquerda na mesa, com a palma virada para cima, e então a usou como cinzeiro enquanto fumava, dizendo: “Você deveria saber que, com a tecnologia atual, descobriremos tudo, você falando ou não. Você é idiota? Eu lhe dei uma chance. A ponta do meu cigarro chega a mais de 400°. Quer descobrir qual é a sensação?”. Ele tragou duas vezes com vontade e queimou a palma da minha mão com a ponta do cigarro. Quando a puxei, por causa da dor, outro policial segurou meu braço com força. A palma da minha mão ardia, com uma dor aguda, conforme ele foi pressionando ali a ponta do cigarro, várias vezes. Escorria suor pela minha testa. Sentindo-me um pouco fraco, eu disse meu nome. A essa altura, pararam de me torturar, mas me obrigaram a assistir a vídeos e ler boatos condenando e blasfemando a Igreja de Deus Todo-Poderoso.

Ao meio-dia do quinto dia, eles me obrigaram a assistir a noticiários sobre o caso Shandong Zhaoyuan e me perguntaram o que eu achava. Eu disse: “Eles não são da Igreja de Deus Todo-Poderoso. Ninguém da minha igreja faria algo assim. Temos princípios para compartilhar o evangelho. Não o compartilhamos com pessoas malignas; só com pessoas bondosas que acreditam que existe um Deus. Pessoas terríveis como Zhang Lidong não cumprem nem de longe nossos padrões de compartilhar o evangelho. Deus não as reconhece como crentes, e a Igreja jamais as admitiria”. Vendo que a minha fé não tinha sido abalada, ele disse: “Prendemos todos os seus líderes e descobriremos tudo quando os interrogarmos. Não precisamos desperdiçar nosso tempo com você. Queríamos salvar você, pois você é muito jovem”. Pensei: “É tudo mentira. Só querem que eu traia a Deus. Não importa o que digam, jamais entregarei os irmãos e as irmãs. Jamais trairei a Deus!”. Depois das sete, naquela noite, um psicólogo da aula de lavagem cerebral me forçou a escrever reflexões sobre o curso. O que escrevi foi: “O incidente de Zhaoyuan não foi cometido por um crente em Deus Todo-Poderoso. Foi cometido por um demônio maligno. Ele será punido por Deus por aquilo que fez”.

Depois das nove, o capitão da Brigada de Segurança Nacional veio e se mostrou infeliz com o que eu tinha escrito. Ele veio e me levantou da cadeira com uma mão, me esbofeteou repetidas vezes com a outra e me jogou no chão. Depois me arrastou até a cama e começou a me socar. Após alguns golpes, pegou um cabide de madeira e me espancou com ele, exigindo informações sobre a igreja. Fiquei em silêncio. Enfurecido, ele ordenou que eu me despisse totalmente. Fiquei com medo quando o vi tão enlouquecido. Em silêncio, orei a Deus sem cessar, pedindo que Ele me desse fé e força. O capitão me puxou, me forçou a me despir e me bateu mais algumas vezes com o cabide, e dois instrutores me seguraram na cama. Eu achava que os instrutores tinham sido contratados pelos policiais, mas que tinham consciência, e não permitiriam que torturassem um adolescente. Mas eu estava errado. Eles me seguraram com firmeza, me imobilizando completamente. O capitão da Brigada de Segurança Nacional queimou meus mamilos com o cigarro, como um lunático, e, em instantes, a pele foi chamuscada, preenchendo o ar com o cheiro de carne queimada. Eu estava encharcado de suor, por causa da dor, e continuei esperneando. Então ele passou para os meus genitais, gritando: “Vai falar ou não?”. Gritando alto de dor, fui tomado por somente um pensamento: “Não posso trair a Deus”. Eu estava orando a Deus sem cessar em meu coração, implorando que Ele me desse fé e força para que eu suportasse a tortura daquele policial maligno.

Fiquei calado, então o capitão disse maliciosamente: “Você só amolecerá se eu for mais duro com você”. Ele se virou, pegou uma garrafa térmica e jogou água quente em mim. Gritei de dor. Friamente, ele disse: “Vai falar?”. Sem medo, respondi: “Eu não sei de nada!”. Enfurecido ao ouvir isso, ele jogou mais duas xícaras de água quente na minha barriga. Ele viu que a dor já não era mais tão grande, então tocou a minha barriga e berrou que a água não estava quente. Então mandou que fervessem uma panela de água. E sorriu maliciosamente e disse: “Dentro de instantes, você provará como é quando derramam água fervente no seu corpo”. Não pude deixar de sentir medo quando ouvi isso, e pensei em como a água quente anterior estava mais fria do que esta. Se realmente derramassem água fervente em mim, eu seria capaz de suportar? Nervoso e com medo, orei a Deus, em silêncio: “Deus Todo-Poderoso, por favor, dá-me fé e força. Quero dar testemunho e não O trair nem entregar os irmãos e as irmãs”. Depois de orar, lembrei-me das palavras de Deus: “A fé é como uma ponte de um tronco só: aqueles que se agarram abjetamente à vida terão dificuldade para cruzá-la, mas aqueles que estão prontos para se sacrificar podem atravessá-la de pé firme e sem preocupação” (‘Capítulo 6’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). Refleti sobre as palavras de Deus e percebi que ter pensamentos tímidos e temerosos era cair vítima dos truques de Satanás, e vi que eu não tinha fé verdadeira em Deus. Eu devia arriscar minha vida e confiar em Deus em cada momento para dar testemunho. Esse entendimento me deu a fé necessária para encarar a tortura que me esperava.

Ele acendeu um cigarro e deu duas longas tragadas, postou-se na minha frente e disse, com um sorriso perverso: “Aguente aí; a água está quase pronta!”. Enquanto falava, colocou a ponta do cigarro no meu peito, onde eu tinha sido escaldado pela água. Tentei recuar da dor. A água começou a ferver sete ou oito minutos depois. Quando vi o vapor saindo da chaleira, meu escalpo começou a formigar. Fiquei arrepiado, e todos os meus pelos se eriçaram. Ele trouxe a chaleira, abriu a tampa e se aproximou de mim. Pude sentir o vapor no meu corpo. Então ele apertou a chaleira quente contra a minha barriga. Senti uma dor pungente e gritei instintivamente. Ele aproveitou a oportunidade para me perguntar se eu falaria agora. Quando viu que eu permaneci calado, ele pegou uma xícara, encheu de água e despejou no meu peito. Doeu tanto que dei um salto, e ele ficou me molhando com água quente até esvaziar a chaleira. Eu não conseguia parar de tremer, e toda a parte frontal do meu corpo ficou coberta por bolhas de queimadura. As maiores tinham o tamanho de um ovo. Os instrutores não aguentaram a cena e quiseram sair, então ele trancou a porta, olhou para eles e gritou: “Fiquem aqui e assistam. Vejam como lhe mostro quem manda aqui”. Então ele ordenou que colocassem mais água para ferver. Não consegui controlar meu medo quando ouvi isso. Eu pensei: “Tem mais, e se a primeira chaleira de água me deixou neste estado, o que mais queimaduras farão comigo? Conseguirei permanecer forte?”. Clamei a Deus sem cessar, pedindo fé e força a Ele. Então me lembrei destas palavras de Deus: “De fora, os poderosos podem parecer perversos, mas não temam, pois isso é porque vocês têm pouca fé. Se sua fé aumentar, nada será difícil demais” (‘Capítulo 75’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). A polícia estava me torturando porque Deus permitia. Deus queria aperfeiçoar a minha fé. Não importava quão malignos, quão selvagens eles eram, tudo ainda estava nas mãos de Deus. Contanto que eu orasse e confiasse em Deus, eu sabia que Deus me guiaria para triunfar sobre a tortura de Satanás. Não senti mais tanto medo e tive fé para enfrentar o tormento.

Não demorou, e a segunda chaleira ferveu. Ele a trouxe, encheu uma xícara com água quente, trouxe-a até mim e começou a molhar meus genitais. Gritei de dor e tentei recuar. Ele deu alguns passos à frente e continuou me interrogando, mas me recusei a responder. Ele segurou a xícara de água quente debaixo dos meus genitais e perguntou: “Vai falar ou não?”. Eu não disse nada. Ele levantou a xícara, de modo que meus genitais ficaram submersos nela. Eu gritei de dor e, tremendo, recuei instintivamente. Eu realmente não aguentava mais e orava sem cessar, pedindo forças a Deus para impedir que eu O traísse. Então me lembrei de algo que o Senhor Jesus tinha dito: “Pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 16:25). Eu sabia que, se entregasse os outros e traísse a Deus para evitar sofrimento físico, isso ofenderia o caráter de Deus. Eu iria para o inferno e sofreria eternamente. Entendendo isso, resolvi que, não importava quanto sofresse, eu cerraria os dentes e jamais trairia a Deus. Aquele policial maligno derramou mais duas xícaras de água quente em meus genitais e continuou me interrogando. Olhei para baixo e vi que a camada externa da pele dos meus genitais tinha se soltado, e os dois instrutores não conseguiam olhar para mim. Desesperados, disseram: “Filho, fale. Qual é o sentido de sofrer desse jeito?”. Eu não soltei um único som. Então, o assistente do policial entrou. Quando me viu, ficou aturdido por um momento. Ele virou o rosto, veio até mim e disse: “Confesse logo. Nós pegamos muitos de vocês. Mesmo que você não fale, alguém falará. Estamos lhe dando uma chance”. Eu baixei a cabeça e não disse nada. Quando viu isso, o policial gritou, enfurecido: “Para trás, todos vocês. Vamos ver até quando ele aguenta!”. E então derramou uma xícara de água quente mais uma vez em meu peito, deixando-me aos gritos e pulando de agonia. Quando jogou a água quente em mim, as bolhas estouraram e a pele colou em mim. Logo se formaram novas bolhas; a dor era insuportável. Comecei a enfraquecer um pouco. Pensei: “Eles prenderam muitos irmãos e irmãs. Mesmo que eu não fale, alguém provavelmente falará. Por que devo passar por tudo isso? Posso lhes contar um pouquinho para que não tenha de sofrer tanto”. Vi que o policial não pretendia parar, e eu não sabia se seria capaz de resistir ao que ele ainda tinha reservado para mim. Mas se falasse, eu seria um judas. Nesse momento, lembrei-me destas palavras de Deus: “Para com aqueles que não Me ofereceram sequer um pingo de lealdade durante tempos de adversidade, Eu não terei mais misericórdia, pois Minha misericórdia vai só até esse ponto. Não tenho apreço algum, além disso, por quem quer que já tenha Me traído, muito menos gosto de Me associar com quem trai os interesses de seus amigos. Esse é Meu caráter, seja quem for a pessoa” (‘Prepare boas ações suficientes para o seu destino’ em “A Palavra manifesta em carne”). Deus não queria ter nada a ver com aqueles que traíam os interesses de seus amigos. Se eu falasse, eu não estaria traindo a Deus? Eu não podia dizer nada. Absolutamente nada. Então fiz esta oração silenciosa: “Deus, obrigado por me esclarecer e me impedir de trair os irmãos e as irmãs. Não importa quanto sofra, eu jamais serei um judas”.

Ao me ver em silêncio, o capitão da Brigada de Segurança Nacional acendeu um cigarro e disse, com um sorriso sinistro: “Vamos devagar. Temos muito tempo”. Ao mesmo tempo, soprou fumaça no meu nariz. Depois, pegou uma xícara e derramou água quente na minha cabeça. Recuei instintivamente, e a água escorreu pela orelha da direita e pelas costas. Gritei de dor, e foi como se as minhas costas estivessem em chamas. Ele jogou mais algumas xícaras na minha barriga e derramou água nas minhas coxas. Imediatamente apareceram bolhas onde ele tinha jogado água. Ele mandou que os instrutores fervessem mais água quando a chaleira ficou vazia. Uma terceira chaleira fervia após poucos minutos. Vendo o vapor subir da chaleira, não consegui parar de tremer. Rindo, ele pegou a chaleira e disse: “Perfeito!”. Então a segurou contra meu corpo e disse sinistramente: “Vai falar agora ou não?”. Eu não respondi, então ele derramou xícara após xícara de água quente em mim. Fui tomado pela dor. Vi que ele não pretendia parar e não sabia quanto mais eu suportaria. A dor era tão grande. Eu só queria morrer para que não tivesse de continuar sofrendo tanto e não entregasse ninguém por causa da minha fraqueza carnal. Olhei em volta, procurando um objeto duro com que pudesse me matar, mas havia apenas uma mesa, e as paredes eram de madeira. Eu sabia que não morreria batendo a cabeça uma vez só, e então teria de suportar mais tortura. Pensei em dizer sim, por ora, assim me levariam para identificar as casas dos outros. Lá fora, eu poderia saltar do carro para a minha morte. Enquanto pensava nisso, o policial ficou perguntando se eu ia falar, e dei a entender que sim. Eu achava que me levariam para identificar as casas imediatamente, mas, para a minha surpresa, ele pediu que eu falasse sobre a igreja. Mais de dez policiais do andar de baixo entraram. Nesse momento, senti certa timidez. Se eu só acenasse e não dissesse nada, eles aplicariam mais torturas brutais em mim? Pensei que poderia dizer apenas o nome da igreja e sua localização aproximada. Para a minha surpresa, eu lhe dei a mão, mas ele queria o braço inteiro. Ele me bombardeou com outras perguntas sobre a igreja, e eu me arrependi de ter cedido a Satanás. Eu não seria um judas se continuasse assim? Aleguei não saber de nada quando ele me perguntou outras coisas. Ele não conseguia chegar a lugar algum comigo, então permitiu que eu voltasse para o meu quarto. No quarto, pensei: “Por que eu estava tentando morrer? Deus quer que eu morra? Isso não é um sinal de fraqueza?”. Então me lembrei de um hino das palavras de Deus: “Busque amar a Deus, não importa quão grande seja seu sofrimento”. “Hoje, a maioria das pessoas não tem esse conhecimento. Elas acreditam que o sofrimento é sem valor, que foram renunciadas pelo mundo, que sua vida familiar tem problemas, que não são amadas por Deus e sua perspectiva é sombria. O sofrimento de algumas pessoas chega ao extremo, e seus pensamentos se voltam para a morte. Isso não é verdadeiro amor por Deus; tais pessoas são covardes, não têm perseverança, são fracas e impotentes! […] Assim, durante estes últimos dias, vocês devem dar testemunho de Deus. Não importa quão grande seja o sofrimento de vocês, devem caminhar até o fim e até mesmo até seu último suspiro, ainda assim vocês devem ser fieis a Deus e ficar à mercê de Deus; só isso é realmente amar a Deus e apenas isso é o testemunho forte e retumbante” (“Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Quando refleti sobre as palavras de Deus, vi como eu era covarde, fraco e incapaz. Eu quis morrer por causa da minha fraqueza carnal, porque eu temia o sofrimento. Isso não glorificava a Deus. Isso não era testemunho verdadeiro. Antes da prisão, eu tinha jurado a Deus que, se fosse preso e perseguido pelo PC Chinês, eu daria testemunho como os outros irmãos e irmãs. Eu jamais trairia a Deus nem seria um judas. Mas quando algo aconteceu comigo, diante da tortura do policial, eu só pensei em como sair da situação. Não pensei em como dar testemunho e satisfazer a Deus. Percebi que não tinha fé verdadeira nem submissão a Deus. Os policiais estavam me torturando para que eu traísse a Deus e perdesse meu testemunho. Se eu escapasse disso por meio da morte, eu não me tornaria objeto de piada de Satanás? Esse pensamento me fez me arrepender da minha fraqueza. Como pude ter soltado a língua? Deus me deu uma chance de dar testemunho, mas eu não a aproveitei. Foi doloroso e decepcionante para Deus. Decidi que, se quisessem que eu identificasse as casas, eu não iria. Não importava quanto me torturassem, eu confiaria em Deus e daria testemunho!

Às seis e meia da manhã seguinte, o diretor da secretaria antisseitas municipal viu quanto eu estava ferido e mandou que alguém me levasse para o hospital, para que eles não fossem responsabilizados. A caminho do hospital, ele me advertiu sinistramente: “Não diga nada ao hospital ou você será responsabilizado pelas consequências!”. Isso me deixou incrivelmente irritado. Estavam me intimidando e não permitiriam que eu contasse a verdade, nem mesmo após me machucarem tanto. Isso foi maligno e desprezível! O médico perguntou como eu tinha me queimado tanto, e eu sabia que, mesmo que lhe dissesse a verdade, ele não poderia fazer nada. Eu disse que tinha sido uma garrafa térmica que havia quebrado. Incrédulo, ele perguntou: “Uma garrafa térmica fez tudo isso?”. O policial chamou o médico de lado e sussurrou algo em seu ouvido, e então o médico começou a cuidar das minhas feridas e disse que eu deveria ser internado. O policial disse que era uma situação especial e que eu não poderia ficar e me obrigou a assinar um formulário aceitando toda a responsabilidade. Depois me levou de volta para o centro de lavagem cerebral. Meus ferimentos eram tão sérios que eu não pude participar das aulas, mas a polícia não gostou disso e mandou duas pessoas para me vigiar e fazer lavagem cerebral em mim. Testaram tanto táticas duras quanto suaves para me levar a desistir da minha fé.

Dezessete dias depois, antes de minhas feridas se curarem, me mandaram de volta às aulas. Um professor universitário e um psicólogo fingiam ser amáveis, dizendo coisas legais e tentando se aproximar de mim para me fazer falar. Clamei a Deus repetidas vezes, pedindo que Ele me protegesse dos truques de Satanás. Compartilhei testemunho de Deus com eles. Eles se irritaram quando viram que eu não caía em seus truques. Ao longo dos próximos dias, me forçaram a ler livros que tinham escrito e que blasfemavam contra a nossa igreja e a assistir a alguns vídeos blasfemos. Todas aquelas mentiras que tinham inventado me deixaram indignado e enojado. Não dei ouvidos a nada do que disseram.

Certa manhã, o diretor da divisão invadiu meu quarto com alguns instrutores. Isso me assustou um pouco, então orei em silêncio, pedindo que Deus me desse sabedoria para que eu pudesse encarar aqueles tiras terríveis. Ele disse, em tom de ameaça: “Tivemos uma reunião ontem sobre a nossa Batalha de Cem Dias contra a Igreja de Deus Todo-Poderoso. As sentenças serão duras. Serão ainda piores para pessoas jovens e solteiras como você. Principalmente os que não cedem, como você, serão mandados direto para o pelotão de fuzilamento. Vão explodir sua cabeça e espalhar seus miolos”. Entrei um pouco em pânico quando ele disse isso, mas então me lembrei das palavras do Senhor Jesus: “Pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 16:25). Eu sabia que ser martirizado por Deus seria uma honra e seria celebrado por Deus. Mas trair a Deus por medo da morte ofenderia Seu caráter e provocaria Sua repulsa. Mesmo que meu corpo vivesse, eu estaria morto aos olhos de Deus. Minha alma seria eliminada por Deus e punida no inferno. Inúmeros crentes foram perseguidos e martirizados ao longo das eras. Todos eles deram testemunho de Deus. Ser martirizado seria Deus me elevando. Eu estava disposto a me submeter aos arranjos de Deus e dar testemunho mesmo que morresse. Quando permaneci calado, o policial me ameaçou: “Quer ir para casa ou para a prisão?”. Eu queria muito voltar para casa, mas sabia que o preço seria assinar cartas de arrependimento e separação da igreja. Determinado, eu disse: “Prisão!”. Ele arregalou os olhos de raiva, apontou para mim e disse: “Parece que você não sofreu de verdade!”. E saiu enfurecido.

Depois disso, arranjaram um pastor para fazer lavagem cerebral em mim. No momento em que entrou, ele disse: “Filho, você ainda é jovem. Escute, você está na senda errada”. Ele abriu a Bíblia em Mateus 24:23-24 e disse: “Você diz que o Senhor Jesus já retornou, mas veja o que a Bíblia diz: ‘Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis; porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos’. Qualquer um que diz que o Senhor voltou está errado. Você não pode seguir isso”. Peguei a Bíblia e respondi: “O Senhor Jesus estava nos alertando de que, quando Ele retornar nos últimos dias, falsos cristos e profetas mostrarão sinais e maravilhas para enganar as pessoas. Disse que devemos estar atentos. Se você diz que todas as notícias da vinda do Senhor são falsas, não está negando o fato do próprio retorno do Senhor? Falsos cristos não possuem a verdade. Só enganam as pessoas com sinais e maravilhas. Deus Todo-Poderoso não exibe essas coisas. Ele só expressa a verdade e faz Sua obra de julgamento para purificar e salvar plenamente a humanidade. Deus Todo-Poderoso é o Senhor Jesus retornado, o único Deus verdadeiro”. Vendo que seu truque não tinha funcionado, ele disse muitas coisas blasfemas. Irritado, respondi: “Blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem nesta nem na próxima vida”. Então ele disse: “Você realmente é um garoto obstinado. Caia em si, filho. Diga o que eles querem ouvir e confesse. Você se arrependerá se realmente for preso!”. Eu disse: “Eu não me arrependerei e aconselho que busque o caminho verdadeiro. Pare de resistir a Deus. Será tarde demais se você cometer um pecado terrível”. Exasperado, ele me disse: “Você é um caso perdido. É teimoso demais”. Então se levantou e foi embora.

Alguns dias depois, o chefe da Brigada da Polícia Criminal tentou me forçar a repetir coisas que negavam e blasfemavam contra Deus. Quando me recusei, ele disse, com agressividade: “Você tem medo de retribuição? Não existe Deus nenhum, então de onde ela viria? Não estão bem, agora, aqueles que abriram mão da fé?”. Eu disse: “Não morrer agora não significa um desfecho bom. Deus não pune as pessoas imediatamente”. Com raiva, ele me agarrou e me esbofeteou algumas vezes, mas mesmo assim fiquei calado. Eu estava pensando em algo que o Senhor Jesus disse: “Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada” (Mateus 12:31). Com a força dessas palavras, não vacilei. Algumas horas se passaram sem que eu dissesse nada. Enfurecido, ele me arrastou pelos cabelos até o dormitório e disse sinistramente: “Nenhuma comida para ele até ele falar”. Orei a Deus em meu coração, e estas palavras do Senhor Jesus me vieram à mente: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4). As palavras de Deus são nosso sustento para a vida. Mesmo sem comida, eu não morreria sem a permissão de Deus. Surpreendentemente, uma faxineira me passou um pão cozido em vapor naquela noite. Vi que o coração e a alma das pessoas realmente estão nas mãos de Deus. Depois disso, os policiais me obrigaram a limpar seu escritório todos os dias, e, por acaso, havia uma cópia de “A Palavra manifesta em carne” numa escrivaninha. Eu consegui ler um pouco enquanto fazia a limpeza diária, e as palavras de Deus me deram fé e força. A polícia estava me inundando constantemente com falácias ateístas, mas, com a orientação das palavras de Deus, tudo isso não teve impacto algum.

Certo dia, dois professores universitários tentaram algumas coisas para fazer lavagem cerebral em mim e me tentar, dizendo: “Se você não mudar de opinião e não assinar as três cartas, você receberá cinco anos de prisão e depois será difícil encontrar uma esposa. Como pode desperdiçar sua juventude desse jeito? Vale a pena?”. Isso teve um efeito sobre mim. Pensei em como eu era jovem e me perguntei se realmente sofreria por anos. Enquanto refletia sobre isso, percebi que eu estava caindo no truque de Satanás, então me apressei para orar: “Ó Deus! Quase caí no truque de Satanás. Por favor, protege-me para que eu possa dar testemunho”. Então me lembrei de uma linha de um hino das palavras de Deus. “Os jovens não deveriam estar sem a verdade, nem deveriam abrigar hipocrisia e injustiça — eles deveriam se manter firmes na posição correta. Não deveriam só ser levados à deriva, mas ter o espírito que ousa fazer sacrifícios e lutar por justiça e verdade” (‘O que os jovens devem buscar’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Eu sabia que devia ser capaz de suportar qualquer dor para ganhar a verdade. Eu não podia trair a Deus por causa de um conforto temporário. Devia dar testemunho e satisfazer a Deus, não importando o que os tiras fizessem comigo. Quando não disse nada, eles partiram. Nada mais podiam fazer. Nessa tarde, um pastor voltou e disse, com um sorriso traiçoeiro: “Ouvi dizer que você vai para a prisão. Você não pode fazer isso. A vida é desumana ali. Você acha que um rapazinho como você vai aguentar?”. Ele pegou o celular e me mostrou algumas fotos de cristãos que tinham sofrido abuso e disse: “Olhe para eles. Alguns receberam dez anos; outros, vinte. Alguns morreram na prisão. Vejo que você é um crente verdadeiro. Assine o que eles quiserem que você assine e você pode praticar sua fé quando sair daqui. Não precisa sofrer assim! Assine agora, e eu direi algo em sua defesa. Caso contrário, você não terá chance alguma”. Fiquei preocupado, pensando que, se realmente fosse condenado, a polícia poderia me torturar na prisão como quisesse. Eu estaria fadado a sofrer muito mais dor. Fiquei com medo, mas sabia que assinar aquelas cartas seria trair a Deus, e eu receberia a marca da besta. Orei e clamei a Deus em meu coração, pedindo fé para dar testemunho. Eu disse ao pastor: “Não assinarei”. Contrariado, ele foi embora.

O diretor da secretaria municipal antisseitas também tentou me obrigar a assinar as três cartas, dizendo, com raiva: “Já se passaram dois meses sem qualquer mudança. Agora eu espero alguma atitude sua. Você pode ir para casa se disser que não acredita mais, mas será jogado na prisão imediatamente se disser que acredita! Você ainda é um crente?”. Eu estava num dilema. Dizer sim significaria ir para a prisão, e quem saberia dizer que tipo de tortura me esperava ali. Mas dizer não significaria trair a Deus. Orei, pedindo que Deus me desse coragem, e me senti pronto para dar testemunho. Nesse momento, me lembrei desta passagem das palavras de Deus: “Jesus foi capaz de completar a comissão de Deus — a obra de redenção de toda a humanidade — porque dedicou todo cuidado à vontade de Deus, sem fazer quaisquer planos ou arranjos para Si Mesmo. Ele foi capaz de colocar o plano de gerenciamento de Deus bem no centro, e sempre orava ao Pai celestial e buscava a vontade do Pai celestial. Ele orava e dizia: ‘Deus Pai! Realiza o que é a Tua vontade e não ajas conforme Meus desejos, mas conforme o Teu plano. O homem pode ser fraco, mas por que Tu deverias Te importar com ele? Como poderia o homem ser digno de Tua preocupação, ele que é como uma formiga em Tua mão? No Meu coração, desejo apenas realizar a Tua vontade, e gostaria que Tu pudesses fazer o que queres fazer em Mim conforme Teus próprios desejos’” (‘Imite o Senhor Jesus’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). O Senhor Jesus sofreu quando estava a caminho da cruz. Ele sentiu fraqueza carnal, mas foi capaz de se concentrar em completar a comissão de Deus. Ele se submeteu aos arranjos de Deus a despeito da dor física. E Pedro esteve disposto a obedecer até a morte por seu amor a Deus, a ser crucificado de ponta-cabeça por Deus. O que valia meu sofrimento banal? As palavras de Deus fortaleceram minha fé, e eu não tive mais medo. Decidi que, mesmo que fosse para a prisão, eu daria testemunho de Deus! Disse com muita firmeza: “Então irei para a prisão”. Irritado, ele respondeu: “Arrume suas coisas, amanhã você vai para a prisão”. Então bateu a porta e saiu bufando. Surpreendentemente, dois dias depois, quatro policiais da delegacia local vieram e disseram que me levariam para casa. Nesse momento, senti como é maravilhosa a obra de Deus e senti Seu cuidado e Sua misericórdia para comigo. Os policiais me levaram para a cidade e gravaram uma declaração oral e me instruíram a me apresentar na delegacia semanalmente. Mais tarde, pela orientação de Deus, fugi da região e fui capaz de cumprir novamente o meu dever.

Ser preso e torturado pela polícia está gravado em mim. Vi como o Partido Comunista é selvagem e desumano. Vi plenamente a sua essência que resiste a Deus. Odeio profundamente aqueles demônios. Também experimentei o poder e a autoridade das palavras de Deus. Por meio de provações e adversidade, Deus usou Suas palavras para me guiar e me dar fé e força. Vi que só Deus nos ama e que só as palavras de Deus podem ser nossa vida. Minha fé em Deus cresceu ainda mais. Graças a Deus Todo-Poderoso!

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