A neblina se dissipa e eu encontro a senda para o reino dos céus (parte 1)

07 de Abril de 2020

Por Chen Ai, China

Desde criança eu acompanhei meus pais em sua crença no Senhor e agora me encontro diante da velhice. Embora eu tenha acreditado no Senhor a vida inteira, o problema de como me livrar do pecado e entrar no reino dos céus era um enigma insolúvel que me causava consternação constante, deixando-me perdido e aflito. Durante minha vida, eu desejava muito poder descobrir como me livrar do pecado e entrar no reino dos céus, para que, quando chegasse minha hora, eu fosse capaz de enfrentar a morte sabendo que minha vida estava completa e que eu podia finalmente encontrar o Senhor com paz no coração.

Na tentativa de resolver esse dilema, consultei avidamente a Bíblia, do Antigo Testamento ao Novo e do Novo Testamento de volta ao Antigo, lendo a Bíblia várias vezes. Porém, no final não consegui encontrar a resposta certa. Sem mais opções, só me restou fazer um esforço para me comportar da melhor maneira possível de acordo com os ensinamentos do Senhor, pois Ele disse: “O reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto” (Mateus 11:12). No entanto, descobri que na vida real, por mais que eu tentasse, não conseguia cumprir o que o Senhor exigia de mim. Assim como Ele disse: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37-39). O Senhor exige que amemos a Deus de todo o coração e com toda nossa mente, e que irmãos e irmãs amem uns aos outros. Porém, por mais que eu me esforçasse, simplesmente não conseguia alcançar esse tipo de amor, pois meu amor por minha família era maior do que meu amor pelo Senhor, e eu simplesmente não era capaz de amar verdadeiramente meus irmãos e irmãs na igreja como eu amava a mim mesmo. Pelo contrário, eu costumava ser mesquinho e calculista em relação aos outros quando meus próprios interesses estavam em jogo, a ponto de ser possuído por rancor. Como alguém como eu poderia ser salvo e entrar no reino dos céus? O Senhor Jesus também disse muitas coisas sobre entrar no reino dos céus, como: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3). “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20). Eu não conseguia colocar em prática nenhuma dessas exigências do Senhor. Eu mentia com frequência e sempre culpava o Senhor ao me deparar com algo que não era do meu agrado. Meus pensamentos eram enganosos e desonestos e eu definhava incessantemente no pecado, pecando e me arrependendo, me arrependendo e pecando, repetidamente. O Senhor é santo e está escrito na Bíblia: “…a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Como alguém tão completamente imundo como eu poderia estar apto a entrar no reino dos céus? Isso me incomodava profundamente. Mas sempre que eu lia sobre a senda da justificação pela fé adotada por Paulo em Romanos, Gálatas e Efésios — que ter fé e ser batizado significa salvação certa, que se acreditarmos no Senhor em nosso coração e O reconhecermos com nossa boca seremos justificados pela fé, salvos para sempre, e que, quando o Senhor retornar, Ele certamente nos elevará ao reino dos céus — uma enorme alegria tomava conta de mim. Eu sentia que não precisava me preocupar em entrar no reino dos céus. Mas então eu me lembrava do que o Senhor disse sobre as pessoas só serem capazes de entrar no reino dos céus por esforço próprio, e eu ficava inquieto. Ser justificado pela fé e depois entrar no reino dos céus — seria mesmo tão simples assim? Sobretudo quando eu via velhos crentes piedosos chegando ao fim da vida aparentando inquietação e preocupação, tanto que até choravam copiosamente e nenhum deles parecia feliz em morrer, eu inevitavelmente me perguntava: se eles dizem que basta a justificação pela fé para entrar no reino dos céus, por que então parecem tão aterrorizados em seu leito de morte? Parecia que eles próprios não tinham ideia se haviam sido salvos ou não, nem para onde iriam após a morte. Eu ponderei repetidamente as palavras do Senhor Jesus e também contemplei as palavras de Paulo, e descobri que as palavras de Jesus e de Paulo divergiam bastante em relação a quem poderia entrar no reino dos céus. Segundo Paulo, uma pessoa é justificada pela fé simplesmente crendo no Senhor — se fosse esse o caso, todos seriam salvos. Então, por que o Senhor Jesus disse: “Igualmente, o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora” (Mateus 13:47-48)? Por que, quando o Senhor retorna nos últimos dias, ele precisa separar o joio do trigo, as ovelhas das cabras e os bons servos dos maus? A partir dessas palavras ditas pelo Senhor Jesus, está claro que nem todos que creem Nele poderão entrar no reino dos céus. Então eu me perguntava: estou salvo? E poderei entrar no reino dos céus quando morrer? Essas perguntas persistiam em minha mente como enigmas e eu não tinha ideia de como respondê-las.

Num esforço para resolver esse problema, consultei obras escritas ao longo dos tempos por personagens espirituais conhecidos, mas a maioria delas trazia interpretações de justificação pela fé conforme aparece em Romanos, Gálatas e Efésios, e nenhum desses livros foi capaz de esclarecer minhas dúvidas. Visitei então todos os presbíteros no Senhor mais conhecidos e frequentei encontros de muitas denominações diferentes, mas descobri que todos diziam praticamente as mesmas coisas e ninguém sabia me explicar claramente o mistério de como entrar no reino dos céus. Mais tarde, conheci uma nova denominação estrangeira emergente e pensei que talvez esse tipo de igreja pudesse lançar uma nova luz sobre a questão. Assim, bastante animado, fui a um de seus encontros. No início, o sermão pareceu ser relativamente esclarecedor, mas ao final descobri que também eles pregavam o caminho da justificação pela fé e fiquei deprimido com a decepção. Após o encontro, procurei o pastor principal e perguntei: “Pastor, receio não ter entendido quando você disse: ‘Uma vez salvo, salvo para sempre’. Você poderia compartilhar mais sobre isso comigo?” O pastor disse: “É uma coisa muito fácil de compreender. Em Romanos diz: ‘Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará?’ (Romanos 8:33-34). O Senhor Jesus Cristo já nos absolveu de todos os nossos pecados ao ser crucificado na cruz. Ou seja, todos os nossos pecados, sejam os pecados que cometemos no passado, os pecados que cometemos hoje ou os pecados que cometeremos no futuro, são todos perdoados. Somos eternamente justificados pela fé em Cristo e se o Senhor não nos condena por nossos pecados, quem poderia nos acusar? Portanto, não devemos perder a fé em entrar no reino dos céus”. A resposta do pastor me confundiu ainda mais, então eu perguntei: “Como você explica o que está escrito em Hebreus: ‘Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados’ (Hebreus 10:26)?” O rosto do pastor ficou vermelho e ele não disse mais nada, e minha pergunta ficou sem resposta. Aquele encontro não só não tinha resolvido minha confusão, como me deixara ainda mais incomodado. Pensei: “Creio no Senhor há décadas, mas se nem ao menos tenho certeza de que minha alma irá para o Senhor quando eu morrer, isso não significa que tive um tipo de fé confusa a vida inteira?”. Comecei então a percorrer a senda de procurar a resposta para o meu problema em todo lugar possível.

Em março de 2000, fui estudar em um seminário dirigido por estrangeiros, confiante de que os sermões pregados por estrangeiros seriam superiores e certamente resolveriam minha confusão. Para minha surpresa, porém, depois de estudar lá por dois meses, durante os quais estive cheio de fé, descobri que todos os pastores pregavam as velhas coisas de sempre e que não havia nenhuma luz nova em seus sermões. Durante esse tempo não ouvi um único sermão revitalizante nem li um único ensaio espiritual. Não só minha confusão não foi resolvida, como minha estadia lá me deixou ainda mais desconcertado. Eu me senti inevitavelmente confuso e pensei: “Estou aqui há mais de dois meses, mas o que eu ganhei? Se não posso obter provisão aqui, qual é o sentido de continuar com esses estudos?”.

Certa noite depois do jantar, perguntei a um pastor: “Pastor, como estudantes de teologia, é só isso que estudamos? Não podemos falar sobre o modo de vida?”. O pastor respondeu muito solenemente: “Se não discutirmos essas coisas em nossos estudos teológicos, então sobre o que deveríamos falar? Simplesmente relaxe e continue estudando! Somos a maior organização religiosa do mundo, internacionalmente reconhecida. Você passará por três anos de formação aqui e sairá com um certificado internacional de pastor. Quando chegar a hora, você poderá levar esse certificado a qualquer lugar do mundo para pregar o evangelho e estabelecer igrejas”. A resposta do pastor foi realmente decepcionante para mim. Eu não queria ser pastor, só queria saber como entrar no reino dos céus. E então perguntei a ele: “Pastor, considerando que a posse de um certificado de pastor abre tantas portas, poderei usá-lo para entrar no reino dos céus?”. Ao ouvir isso, o pastor ficou em silêncio. Eu continuei: “Pastor, ouvi dizer que você crê no Senhor desde menino. Agora que já se passaram muitas décadas, estou curioso: você foi salvo?”. Ele respondeu: “Sim, fui salvo”. Perguntei: “Então você poderá entrar no reino dos céus?”. Ele respondeu, autoconfiante: “Claro que sim!”. Perguntei: “Então, posso perguntar qual é o seu fundamento para afirmar que poderá entrar no reino dos céus? Você é um homem mais justo do que eram os escribas e fariseus? Você ama seus vizinhos como a si mesmo? Você é santo? Pense bem: involuntariamente, continuamos pecando o tempo todo e contrariando os ensinamentos do Senhor. Diariamente pecamos de dia e confessamos à noite. Deus é santo, então você realmente acha que seremos capazes de entrar no reino dos céus estando tão cheios de pecado?”. O pastor ficou desconcertado e vermelho como um tomate, e não disse mais nada por um bom tempo. Fiquei muito decepcionado com a reação dele e senti que se continuasse meus estudos lá, não seria capaz de compreender o mistério de como ganhar vida e entrar no reino dos céus. E assim, abandonei os estudos no seminário e voltei para minha cidade natal.

A caminho de casa, eu estava abatido como nunca antes; tive a sensação de que minhas últimas esperanças haviam sido destroçadas. Pensei: “Mesmo em um seminário dirigido por pastores estrangeiros, minha busca não resultou na senda para me livrar do pecado e entrar no reino dos céus. Onde mais posso procurar por essa senda?”. Senti como se tivesse chegado ao fim da estrada. Nesse exato momento, a imagem do meu velho pai e de um velho pastor chorando diante da iminência da morte passou rapidamente diante dos meus olhos novamente. Pensei em como haviam passado a vida inteira pregando o caminho da justificação pela fé, que as pessoas entrariam no reino dos céus após a morte, mas, no final das contas, haviam morrido tomados por arrependimento. Eu havia acreditado no Senhor a vida inteira e dito às pessoas todos os dias que elas entrariam no reino dos céus quando morressem, e mesmo assim eu nunca tivera real clareza sobre como entrar de fato no reino dos céus. Eu iria deixar esta vida tomado por arrependimento como meu pai e o pastor? Em meio à minha dor, essas palavras do Senhor subitamente vieram à mente: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á” (Mateus 7:7). “É isso mesmo”, pensei. “O Senhor é fiel e contanto que eu busque com um coração verdadeiro, Ele certamente me guiará. Não posso desistir. Enquanto restar um sopro de vida em meu corpo, continuarei procurando a senda para o reino dos céus!”. Então, vim diante do Senhor para orar: “Querido Senhor, procurei por toda parte como me livrar do pecado e entrar no reino dos céus, mas ninguém foi capaz de resolver meu problema. Querido Senhor, o que devo fazer? Como pregador, digo diariamente aos irmãos e irmãs que eles devem buscar diligentemente e ter paciência até o fim, e que Tu virás para nos levar ao reino dos céus depois que morrermos. Porém, a essas alturas, eu realmente não tenho ideia de como me livrar do pecado e entrar no reino dos céus. Não seria eu um cego guiando outro cego, conduzindo meus irmãos e irmãs para o abismo? Querido Senhor, aonde devo ir para procurar a senda para o reino dos céus? Por favor, guia-me!”.

Depois que voltei para minha cidade natal, eu soube que muitas boas ovelhas e ovelhas líderes da nossa igreja haviam sido roubadas pela igreja Relâmpago do Oriente. Muitas pessoas estavam dizendo que o caminho da Relâmpago do Oriente fornecia nova compreensão e nova luz, e até pastores experientes tinham admiração por seus sermões. Sempre que eu ouvia essas coisas, pensava: “Parece que os sermões pregados pela Relâmpago do Oriente são de fato elevados. É uma pena que eu não tenha encontrado ninguém da Relâmpago do Oriente. Seria ótimo se eu pudesse conhecê-los algum dia! Se esse dia chegar, certamente ouvirei e buscarei seriamente para entender por que exatamente seus sermões são tão bons e se eles podem ou não esclarecer essa confusão que carrego comigo há anos”.

Um dia, uma líder da igreja me disse: “A igreja tal e tal teve muitas de suas boas ovelhas roubadas pela Relâmpago do Oriente. Agora todas as denominações estão trancando suas igrejas e precisamos instar com nossos irmãos e irmãs para que não tenham contato algum com pessoas da Relâmpago do Oriente e, particularmente, para que não ouçam seus sermões. Se todos os nossos fiéis começarem a acreditar na Relâmpago do Oriente, quem restará para nos ouvir pregar?”. Fiquei indignado ao ouvir a líder da igreja dizer isso e pensei: “Nossa igreja está aberta a todos, então por que haveríamos de trancá-la? Por que você não acolheria um forasteiro de um lugar distante? A Bíblia diz: ‘Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos’ (Hebreus 13:2). Abraão acolheu forasteiros e assim foi abençoado por Deus e teve um filho aos cem anos; Ló acolheu dois anjos e assim foi salvo da destruição de Sodoma; a prostituta Raabe recebeu espiões de Israel e sua família inteira foi salva; e uma viúva pobre acolheu o profeta Elias e assim eles evitaram a fome por três anos e meio. Entre tantas pessoas, nenhuma foi prejudicada por acolher forasteiros de lugares distantes, pelo contrário, foram todas abençoadas por Deus. Portanto, é evidente que acolher forasteiros está de acordo com a vontade do Senhor. Então por que você iria contra Sua vontade, trancando a igreja intencionalmente e não permitindo a entrada de nenhum forasteiro?”. Ao pensar nisso, balancei a cabeça e disse a ela: “Fazer isso contraria a vontade do Senhor. Nossa igreja pertence a Deus e está aberta a todos. Contanto que a comunicação deles seja sobre fé no Senhor, devemos receber qualquer um, independentemente de quem seja, e devemos buscar com a mente aberta e explorar ideias juntos. Somente ao fazer isso é que estaremos de acordo com os ensinamentos do Senhor”.

Quando o desastre vem, como nós cristãos devemos lidar com ele? Convidamos você a participar da nossa reunião online, onde podemos explorar juntos e encontrar o caminho.
Contate-nos
Entre em contato conosco pelo Whatsapp

Conteúdo relacionado

Seguindo os passos do Cordeiro

“Se o homem crê em Deus, deve seguir de perto as pegadas de Deus, passo a passo; deve ‘seguir o Cordeiro aonde quer que Ele vá’. Somente...

A luz do julgamento

“Deus observa toda a Terra, comanda todas as coisas e contempla todas as palavras e ações do homem. Ele conduz Sua gestão com passos...