49. Agonia eterna

Todas as almas corrompidas por Satanás são mantidas cativas no império de Satanás. Só os que acreditam em Cristo foram separados, salvos do campo de Satanás e trazidos para o reino de hoje. Essas pessoas já não vivem mais sob a influência de Satanás. Ainda assim, a natureza do homem continua enraizada na carne do homem, o que quer dizer que, apesar de a alma de vocês ter sido salva, a natureza de vocês ainda está como era antes, e a chance de vocês Me traírem permanece 100%. É por isso que a Minha obra dura tanto, porque a natureza de vocês é intratável. Agora, todos vocês estão sofrendo dificuldades no máximo de sua habilidade enquanto cumprem seus deveres, mas cada um de vocês é capaz de Me trair e retornar para o império de Satanás, para o seu campo, e retornar para a sua vida antigaisso é um fato inegável. Naquele momento, não lhes será possível apresentar nem um resquício de humanidade ou de semelhança humana, como têm agora. Em casos graves, vocês serão destruídos e, mais que isso, serão condenados por toda a eternidade, punidos severamente, para nunca mais reencarnarem. Esse é o problema colocado diante de vocês” (‘Um problema muito sério: traição (2)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Amém! Pensava que havia mais de dez anos que eu cria em Deus, que podia desistir de tudo para seguir a Deus, sofrer por meu dever, e não me acovardaria com a opressão do Partido Comunista Chinês (PCC), assim, achava que era devoto a Deus e jamais poderia traí-Lo. Jamais poderia ter imaginado que, ao ser preso e brutalmente torturado pela polícia do PCC, perderia a dignidade, cedendo a Satanás. Minha natureza de trair a Deus foi totalmente exposta. Quando eu penso naquela derrota horrível fico terrivelmente angustiado, e será um arrependimento para a vida toda.

Foi durante o ano de 2008 que o PCC iniciou outra rodada de opressão e prisão de cristãos em grande escala no país todo. Lembro-me de um dia em agosto. Fui informado que muitos líderes de igreja e irmãos em muitos locais foram presos. Logo entrei em contato com alguns irmãos para lidar com as consequências e transferir os bens da igreja. Levamos mais de duas semanas para organizar os assuntos da igreja. Na época, fiquei muito contente comigo mesmo, achando que, enquanto o PCC estivesse prendendo pessoas, eu enfrentaria tudo e manteria o trabalho da igreja, que eu era totalmente devoto a Deus e à Sua vontade. Quando ouvi que alguns dos presos tinham sido judas, traindo a Deus e entregando irmãos e irmãs, eu comecei a sentir um grande desprezo por eles e em silêncio tomei esta decisão: “Se chegar o dia em que eu também for preso, morrerei antes de me tornar um judas!” Achava que eu tinha uma fé muito grande. Para a minha surpresa, logo depois do Ano Novo em 2009, o PCC iniciou uma operação no país chamada “Trovão III”, tendo a Igreja de Deus Todo-Poderoso como alvo. Um dia, quando eu estava numa reunião com irmãos e irmãs, mais de 30 policiais invadiram o local. Fomos levados para a delegacia municipal e separados para o interrogatório. Eles queriam saber duas coisas: nomes e endereços dos líderes e obreiros e quanto dinheiro a igreja tinha e onde estava. Diziam em tom ameaçador: “Se não falar, será seu fim!” Naquele momento, eu não tinha tanto medo assim. Como tinha sofrido muito quando era criança, achei que, mesmo que me torturassem, eu conseguiria aguentar. Além disso, cumpri meu dever e fui leal a Deus. Certamente, Ele me protegeria. Quando viram que eu não falaria, trouxeram vídeos e fotos em que eu entrava e saía das casas de meus anfitriões, listaram os lugares em que estive nos últimos meses e me mandaram confessar. Fiquei preocupado quando vi tantas evidências claras. Pensei que mesmo se eu negasse, eles não acreditariam, então orei a Deus e pedi que Ele me impedisse de me tornar um judas. Como eu ainda não falava, um policial disse com raiva: “Então vamos ser duros com você!” e derrubou a cadeira de ferro à qual estava amarrado, deixando-me de costas. Pegaram uma seringa com uma mistura de óleo de mostarda e água de raiz-forte e começaram a injetá-la em meu nariz e esfregá-la em meus olhos. Ardeu demais. Quase não conseguia respirar. Meus olhos ardiam tanto que não podia abri-los, e meu estômago queimava. Então me despiram da cintura para cima, amarraram meus braços atrás das costas e os puxaram com força para cima. Cansados, fizeram da gaveta uma alavanca. Eu suportei a dor e não abri a boca. Vendo que a tática não funcionava, tentaram outra abordagem cruel. Fui algemado à cadeira de ferro, encontraram uns fios elétricos, e amarraram uma ponta dos fios nos meus dedões e a outra foi conectada a um taser, então jogaram água fria em mim e me eletrocutaram repetidamente. Os choques provocaram espasmos em todo meu corpo, e meu coração entrou em convulsão. Realmente achei que estava prestes a morrer. Continuaram assim até duas da manhã.

No dia seguinte, a polícia me levou a um local secreto de interrogatório. No momento em que entrei, vi manchas de sangue por toda parte. Era terrível. Senti bastante medo e me perguntei se me espancariam até a morte lá dentro. Naquele momento, um policial, calado, puxou meus braços e me forçou a abraçar a cadeira de ferro, então me deu um empurrão derrubando-me no chão com a cadeira. Já havia cortes profundos nos meus pulsos causados pelas algemas. Eles estavam sangrando, e as mãos estavam inchadas como bolas. Naquele momento em que fui derrubado a dor foi incrível, e tudo que pude fazer foi orar a Deus sem parar. Então os policiais falaram um monte de mentiras difamando a igreja. Quando ouvi essas mentiras, fiquei tremendamente enjoado e enfurecido. Vendo que eu não falaria, desesperado, um deles pegou um taser e me deu choques pelo corpo inteiro, no rosto e até na boca. Uma luz azul brilhou, e não abri os olhos, mas consegui ouvir o som do taser estalando e sentir o cheiro da minha carne queimada. Então, um dos policiais pareceu perder a cabeça. Pegou um saco plástico e cobria minha cabeça, e só o tirava quando eu estava quase sufocando. Um outro chutava forte a parte inferior do meu corpo, outro pegou um cacete de madeira de 4 cm de espessura e começou a bater em mim com ele gritando com muita raiva: “Há mais de cem aparelhos de tortura aqui e usaremos todos eles. Quem morre aqui é jogado numa vala, sem problema nenhum! Se você não falar nada, será condenado de oito a dez anos, e mesmo que fique aleijado de tanto apanhar, ficará preso. Quando sair, o resto de sua vida não valerá mais nada!” Fiquei bastante preocupado quando ouvi isso e pensei: “Se me espancarem até ficar aleijado, como viverei? O policial disse que eles tinham todos os dados do meu computador e que, se eu não falar, quando forem prender os outros, dirão que eu os delatei. Todos na igreja me odiarão, e eu não poderei mostrar meu rosto”. Quando a polícia fez uma pausa, senti que todo meu rosto estava muito inchado, meus olhos estavam inchados a ponto de quase não abrir, mal podia ver qualquer coisa. Meus pulsos sangravam, e eu tinha queimaduras no corpo todo. Sentia meu coração se contrair e mal conseguia respirar. Achei que ia morrer. Então um policial disse que o perito de informática tinha chegado e conseguido acessar tudo em meu computador. De repente, fui tomado de medo. Pensei: “Acabou. Têm os dados sobre líderes e obreiros nele, além da lista de membros e a contabilidade da igreja”. Senti uma sensação de pânico e não sabia o que fazer em seguida. Naquela noite, os policiais montaram um tripé na sala, amarraram meus braços bem apertados atrás das costas e me suspenderam no tripé. Eu estava pendurado a meio metro do chão, e ficaram me balançando de um lado pro outro. Sempre que faziam isso, meus braços doíam terrivelmente, e rios de suor desciam pelo meu rosto. Então pensei naquilo que o policial tinha dito, que me matar não seria problema e que eu seria condenado mesmo se aleijado. Comecei a sentir que não aguentaria e pensei: “E se eu morrer aqui? Só tenho 30 anos. Que desperdício se me espancarem até a morte! Se eu ficar aleijado e não puder trabalhar, como poderei sobreviver? Já que têm todos os dados do meu computador, não importa se eu confessar ou não. Se eu lhes disser um pouco, talvez poupem minha vida". Mas então pensei: "Não, não posso fazer isso. Isso não me tornaria um judas?” Essa batalha interna continuou. Eu disse a Deus que preferia morrer a ser um judas, com o passar do tempo, a dor piorou, e às 2 ou 3 horas da madrugada daquela noite realmente não aguentei mais a tortura policial e desabei completamente. Concordei em dar-lhes informações sobre a igreja. Finalmente me colocaram no chão. Quando fizeram isso, fiquei lá, deitado no chão, incapaz de me mexer e sem poder sentir meus braços. Eles me fizeram confirmar o andar e número dos apartamentos de dois anfitriões, e foi o que fiz. Naquele momento, traí meus irmãos e irmãs, e minha mente deu branco. Entrei em pânico e senti que algo terrível estava prestes a acontecer. Lembrei-me destas palavras de Deus: “Não receberá Minha clemência pela segunda vez quem partir Meu coração”. Eu bem sabia que tinha traído a Deus e ofendido Seu caráter, e Ele não me perdoaria novamente. Senti uma grande dor e me odiei completamente. Pensei: “Por que eu os entreguei? Se eu tivesse aguentado a dor um pouco mais, talvez teria conseguido”. Eu estava cheio de culpa e arrependimento. Depois disso, por mais que a polícia tentasse, eu não disse mais nada. Depois, quando pensava que traí a Deus e meus irmãos, feito um judas, que fiz uma coisa tão imperdoável, eu me sentia muito atormentado. Senti que minha senda de fé tinha chegado ao fim, como se tivesse sido condenado à morte, e poderia morrer a qualquer momento.

Mas o inesperado aconteceu. Cinco e pouco da manhã do quarto dia após minha prisão, os policiais que me vigiavam dormiram, eu desamarrei em silêncio a corda que me prendia e saltei pela janela. Com muita dificuldade, cheguei à casa de um irmão e escrevi logo uma carta para relatar ao líder da igreja como eu tinha delatado os dois anfitriões, e que tinham de tomar precauções urgentes. Então o líder arranjou um abrigo para mim num lugar seguro. Eu me senti terrível quando vi outro membro da igreja assumir o risco de me abrigar. Eu traí a Deus e entreguei meus irmãos. Eu fui um judas. Não era digno de ser hospedado por ninguém e não podia mostrar meu rosto aos irmãos. Eu li estas palavras de Deus: “Não terei mais misericórdia daqueles que não Me ofereceram sequer um pingo de lealdade em tempos de adversidade, pois Minha misericórdia vai só até esse ponto. Além disso, não tenho apreço algum por quem quer que já tenha Me traído e gosto ainda menos de Me associar com quem trai os interesses de seus amigos. Esse é Meu caráter, seja quem for a pessoa. Eu devo lhes dizer isto: não receberá Minha clemência pela segunda vez quem partir Meu coração, e quem tiver sido fiel a Mim ficará no Meu coração para sempre” (‘Prepare boas ações suficientes para o seu destino’ em “A Palavra manifesta em carne”). Isso me sacudiu profundamente. Cada palavra era um golpe doloroso. Essa pessoa desleal a Deus durante as tribulações era eu. Quem traiu a Deus e os interesses dos amigos fui eu. Fui eu que parti o coração de Deus. Fui um covarde, traí a Deus e delatei meus irmãos e tinha ofendido seriamente o caráter de Deus. Nunca teria a clemência de Deus, estava condenado a ser punido por Ele. Quanto mais pensava, mais agitado ficava, e não consegui mais conter as lágrimas.

Dias depois, soube que uma irmã mais velha dos lares que entreguei foi presa, e sua casa, revistada. Ela se arriscou para ser minha anfitriã e cuidar de mim, mas eu a traí. Eu bem sabia como o PCC era brutal com os cristãos, e eu mesmo tinha sido torturado, mas, para salvar minha própria vida, eu a entreguei nas mãos dos demônios. Que coisa maligna! Eu me esbofeteei várias vezes com força e me prostrei diante de Deus em oração: “Ó Deus, eu Te traí e entreguei irmãos e irmãs. Não sou humano e não mereço viver. Devo ser amaldiçoado e punido. Até a minha morte seria a Tua justiça”. Eu não conseguia encontrar paz e me sentia atormentado o tempo todo. Frequentemente, pesadelos me acordavam à noite e eu ficava pensando: “Como eu pude trair a Deus e me tornar um judas?” Em meus anos de fé, desisti de família e carreira por Deus e nunca desisti, por mais perigoso que fosse o meu dever. Como pude trair a Deus e me tornar um judas da noite para o dia? Por que agi como agi e fiz tudo aquilo?” Logo depois da minha prisão, eu quis dar testemunho, mas, brutalmente torturado, com a vida em perigo, eu recuei em medo, ouvindo que os policiais podiam matar os crentes em Deus Todo-Poderoso impunimente e que eu seria condenado, mesmo aleijado, fiquei preocupado sobre como viveria sendo uma pessoa deficiente. Eu só tinha 30 anos, e seria um desperdício se eu fosse morto! Quando disseram que tinham hackeado meu computador e conseguiram todas as informações da igreja, eu esmoreci e achei que não faria diferença confessar ou não, que eu salvaria minha vida dando-lhes poucas coisas. Perdi minha dignidade e fui um judas. Vi que a razão principal pela qual eu traí a Deus foi salvar minha pele, que eu prezava a própria vida. Pensava que aguentaria sofrer e que era devoto a Deus, e que justamente eu jamais trairia a Deus. Mas quando fui preso e torturado, mostrei quem realmente eu era. Então vi que carecia da realidade da verdade e não tinha fé verdadeira em Deus. Diante das provações e dificuldades, com a vida em risco, logo resistiria e trairia a Deus. Li as palavras de Deus para resolver meu problema de temer a morte. Então, li estas palavras: “Quem dentre toda a humanidade não é cuidado aos olhos do Todo-Poderoso? Quem não vive em meio à predestinação do Todo-Poderoso? A vida e a morte de quem vêm a partir das próprias escolhas? O homem controla o seu próprio destino? Muitas pessoas clamam pela morte, mas ela está longe delas; muitas pessoas querem ser aquelas que são fortes na vida e temem a morte, ainda assim, sem o conhecimento delas, o dia de sua morte se aproxima, afundando-as no abismo da morte” (‘Capítulo 11’ das Palavras de Deus para todo o universo em “A Palavra manifesta em carne”). “Quando as pessoas estão preparadas para sacrificar a própria vida, tudo se torna insignificante e ninguém consegue vencê-las. O que poderia ser mais importante que a vida? Assim, Satanás se torna incapaz de fazer algo mais nas pessoas, não há nada que ele possa fazer com o homem. Embora, na definição da 'carne', se diga que a carne é corrompida por Satanás, se as pessoas verdadeiramente se entregarem, e não forem guiadas por Satanás, então ninguém consegue vencê-las” (‘Capítulo 36’ das Interpretações dos mistérios das palavras de Deus para todo o universo em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me mostraram que todas as coisas estão em Suas mãos, inclusive minha vida e morte. Quando morrer, seja espancado e aleijado, seja como for a minha vida, tudo é pré-ordenado por Deus. Tudo vem de Deus, e, viva ou morra, devo me submeter aos arranjos de Deus. Se Satanás me perseguisse até a morte, mas eu desse testemunho de Deus, seria uma morte digna e significativa. Lembrei que o Senhor Jesus disse: “Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de Mim, esse a salvará” (Lucas 9:24). Pensei nos apóstolos e discípulos do Senhor Jesus, que muitos foram mortos por pregar o evangelho de Deus e fazer a Sua vontade. A morte deles foi comemorada por Deus. Tiveram morte física, mas sua alma não morreu. Mas a minha traição a Deus, delação dos outros e ser um judas são uma vergonha eterna. Eu era um vivo-morto, um cadáver que andava sem alma. Eu me arrependi de minha traição e odiei minha tolice. Quando acreditei que a polícia já tinha as informações sobre a igreja, achei que confessar não faria mal. Mas eu estava totalmente errado. Ao ser torturado pelo grande dragão vermelho, Deus via minha atitude e se eu estava dando testemunho diante de Satanás. Tivessem eles ou não as informações, ainda assim, eu não deveria ter falado nada. Falar com a polícia foi me curvar a Satanás, e isso era uma marca de vergonha. Odiei não ter buscado a verdade e não ter tido fé verdadeira em Deus. Eu odiei minha ganância de vida, falta de dignidade e integridade. E mais odiei esse demônio, o grande dragão vermelho. Ele odeia Deus e a verdade ao extremo, prende e persegue loucamente os Seus escolhidos. Ele os força a negar e trair a Deus e arruína suas chances de salvação. Resolvi me desligar do grande dragão vermelho e dar a vida para seguir a Deus.

Certa vez, li alguns testemunhos sobre a experiência dos vencedores e vi que, quando eram torturados pelo grande dragão vermelho, todos confiaram nas palavras de Deus para derrotar Satanás e dar testemunho. Senti mais vergonha ainda. Foram crentes perseguidos como eu, como conseguiram suportar a dor e dar testemunho? Por que fui egoísta, desprezível e apegado à vida, sendo um judas traidor? Pensar em como minha delação tinha sido motivo de riso para Satanás era como uma facada no coração. Era incrivelmente doloroso, e não podia me perdoar. Eu me sentia muito negativo. Foi justo aí que li estas palavras de Deus: “A maioria das pessoas cometeu transgressões; por exemplo, algumas já resistiram a Deus, algumas se rebelaram contra Deus, algumas falaram palavras de queixa contra Deus e outras cometeram atos contra a igreja ou fizeram coisas que causaram danos à casa de Deus. Como essas pessoas deveriam ser tratadas? Seu desfecho será determinado de acordo com sua natureza e seu comportamento persistente… Deus lida com cada pessoa de acordo com o ambiente e o contexto na época, a situação real, as ações das pessoas, seu comportamento e suas expressões. Deus jamais cometerá injustiça com ninguém. Essa é a justiça de Deus” (“Registros das falas de Cristo”). Depois disso, também vi esta passagem num sermão: “Há pessoas que, devido a fraquezas, delatam um pouco após serem presas. Mas não servem a Satanás, no coração, ainda acreditam em Deus e oram. Isso acontece porque sua estatura é imatura, e sua carne, fraca demais. Mas não delatam completamente nem prestam serviço a Satanás; isso é igual a terem testificado. Os que são presos e delatam totalmente a igreja e seus irmãos, ajudando o grande dragão vermelho a vigiar e prender seus irmãos assinando juramentos de nunca mais crer em Deus — serão totalmente eliminados e amaldiçoados por Deus… Houve alguns irmãos que delataram um pouco devido a fraquezas durante a prisão. Depois, sentindo dor na consciência e remorsos, choraram e se odiaram. Fizeram votos a Deus para que Ele os punisse, pedindo para enfrentar adversidades, para que dessem um lindo testemunho que satisfizesse a Deus. Oraram a Deus assim várias vezes até buscarem a verdade e cumprirem seus deveres, e até terem a obra do Espírito Santo. Esses se arrependeram genuinamente e são honestos. Deus terá misericórdia deles” (“Sermões e comunhão sobre a entrada na vida”). Essas palavras realmente me comoveram e não conseguia parar de chorar. O que Deus determina a alguém tem base no contexto e grau de suas transgressões e no arrependimento real. Ele não determina seu desfecho com base numa única transgressão. Vi como o caráter de Deus é justo, e que Sua justiça contém julgamento e misericórdia. Cometi uma transgressão tão grave como trair a Deus e delatar irmãos, mas Deus não me eliminou. Deixou que eu me arrependesse. Ele me iluminou e guiou a entender Sua vontade. De fato, apreciei que Deus traz a maior salvação para cada um de nós. Deus é muito benevolente. O remorso e a culpa cresceram e senti que devia muito a Deus. Resolvi em meu coração: “Se eu for preso pelo PCC de novo, estou pronto para sacrificar a vida. Até se a tortura me matar, testificarei e envergonharei Satanás!”

Após alguns meses, a igreja me arranjou outro dever. Fiquei muito comovido. Minha traição partiu o coração de Deus, mas, com tolerância e misericórdia, Ele me deu a chance de me arrepender. Eu tinha de valorizar essa chance e investir tudo em meu dever para retribuir o Seu amor.

Dezembro de 2012 veio num piscar de olho, e o PCC lançou outra operação perseguindo a Igreja de Deus Todo-Poderoso. Grampearam telefones e seguiram pessoas para prender muitos irmãos e irmãs. Em 18 de dezembro, duas irmãs que cumpriam seu dever comigo foram presas após terem seus telefones grampeados, e logo depois dois líderes foram presos. Quando soube de tudo isso, comecei a ficar realmente nervoso. Sabia que muito provavelmente eu já estava sendo monitorado pelo PCC e que logo poderia ser preso. Não havia como saber se eu sobreviveria se fosse preso de novo. Com esse pensamento fiquei realmente assustado, mas sabia que tudo acontecia com a permissão de Deus. Orei a Deus, dizendo que não consideraria meu perigo físico pessoal, que só queria lidar com a crise e cumprir bem meu dever. Mesmo preso, testificaria para envergonhar Satanás, ainda que me custasse a vida. Eu me senti mais calmo e mais à vontade depois da oração e então comecei a fazer arranjos para o trabalho da igreja. Graças a Deus, pouco tempo depois, o trabalho da igreja voltou ao normal. Através dessa experiência, vi que, se as pessoas não vivem para os seus interesses, mas cumprem o dever, elas se sentem calmas e tranquilas, com a consciência em paz.

Sempre que lembro que fui um judas vergonhoso, traindo a Deus, sinto-me absolutamente terrível. Mas foi falhando e sendo exposto assim que entendi um pouco do caráter justo de Deus e ganhei algum temor a Deus. Vi como Deus é sábio. Ele usou as prisões e a perseguição pelo grande dragão vermelho para me expor e só então conheci e odiei a mim mesmo e realmente comecei a buscar a verdade. Também vi quão prática é a obra de Deus para salvar a humanidade! Graças a Deus!

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